Segunda-feira, 13 de Junho de 2011         06h30        387
Ser renal crônico é beber pouca água, ter dieta restrita e um aparelho que imita o rim
Correio do Estado/PCS
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“A gente passa muita vontade de comer”. Aparecido Tavares tem 42 anos, há três ele descobriu que é renal crônico e que três vezes por semana teria que se submeter a hemodiálise – um tratamento que realiza o trabalho dos rins, filtrando as impurezas do sangue. Não beber muita água, comer pouca carne e apenas uma fruta por dia são apenas alguns dos sacrifícios.

Ele, a mulher e dois filhos vivem com um salário mínimo em Campo Grande. Moravam em Santa Rita do Pardo, Aparecido era tratorista e nos últimos anos só usava chinelos – porque os pés estavam com o triplo do tamanho normal.

Levou vários meses para descobrir que os rins não funcionavam mais, lesão decorrente do diabetes e pressão alta. “Agora diz que eu estou aposentado, mas se eu melhorar acho que cortam meu salário. Não consigo emprego, três vezes por semana tem que vir aqui, quem quer gente doente pra trabalhar?”, argumenta.

Aparecido diz que não sente dor ao fazer hemodiálise, só a cabeça que fica um pouco pesada e “tem dia que a gente sai trocando as pernas daqui, baixa a pressão mesmo. Aí a mulher tem que vir pra acompanhar no ônibus, ninguém dá lugar pra sentar e o calor deixa a gente mais tonto ainda”, conta.

Ajuda

A Abrec (Associação Beneficente dos Renais Crônicos de MS) tem 700 pacientes cadastrados, quase na mesma proporção entre homens e mulheres, a maioria entre 24 e 65 anos, mas há crianças com um ano de idade também. Mensalmente a associação fornece uma cesta básica e facilita a obtenção de vagas para a hemodiálise pelo Sus (Sistema Único de Saúde). Um sessão particular de hemodiálise custaria R$ 1.200.

Transplantar um dos rins ajuda a restabelecer a função renal, mas encontrar um doador compatível é complicado. De abril a outubro do ano passado foram 19 transplantes feitos na Santa Casa, este ano, de abril até agora, já foram cinco.

Em uma clínica da Capital, diariamente são atendidos 70 pacientes que fazem hemodiálise pelo Sus. “É o processo de filtração do sangue, toda a toxidade que iria para os rins, fica no sangue, por isso tem que usar o capilar artificial. Apenas 3% dos casos de renais crônicos não têm as doenças base, que são diabetes e hipertensão”, aponta a enfermeira Gisélia Paula de Araujo.

Ela lembra, que os pacientes renais agudos ainda têm chance de cura com tratamentos, apenas os crônicos precisam de transplante.

 

 

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