Enquanto
a maioria das pessoas se contenta em admirar o céu, o físico Paulo Holvorcem
quer deixar seu nome gravado nele. O gaúcho já tem no currículo uma verdadeira
coleção de descobertas relevantes.
A
última delas, um novo cometa, aconteceu sem que ele precisasse sair de casa, em Porto Seguro, na
Bahia.
Insatisfeito
com a qualidade dos programas de computador para observação astronômica no
mercado, Holvorcem desenvolveu um arsenal de softwares específicos.
Um
deles permite que ele programe com exatidão as coordenadas de observação em um
telescópio nos Estados Unidos e receba somente seus "pontos de
interesse" no dia seguinte, por e-mail.
"Sem
passar frio e sem precisar controlar manualmente o telescópio, como se fazia
antigamente", explica ele.
Grandes
centros e observatórios costumam restringir o acesso aos seus softwares porque
não querem concorrência pelas descobertas. "Quem não faz parte deles tem
dificuldades", diz Holvorcem, que tem doutorado em matemática.
Com
o Universo sendo varrido por equipamentos potentes que recebem o apoio da Nasa
e da Esa (Agência Espacial Europeia), Holvorcem --que faz explorações
amadoras-- criou uma tática para conseguir se destacar.
LADO B
Ele
explora uma espécie de "lado B" da Via Láctea. Pontos com alta
concentração de estrelas, que tornam a observação mais trabalhosa e normalmente
menos interessante para quem precisa produzir um grande volume de descobertas
para justificar seus financiamentos.
Para
contornar os problemas de observação, Holvorcem criou um programa que funciona
como um interruptor de estrelas.
O
software reconhece pontos fixos, como estrelas e galáxias, e os apaga das
imagens, deixando só os pontos de interesse.
O
último dos três cometas que ele descobriu foi assim. Localizado no fim de maio,
o objeto, cujo brilho era muito fraco, acabava ofuscado pela grande quantidade
de estrelas em seu entorno.
"Era
um cometa de magnitude 19. Ou seja, cerca de 150 mil vezes mais fraco do que as
estrelas mais fracas visíveis a olho nu em uma noite de céu escuro, sem poluição
luminosa, com a atmosfera com boa transparência", explica Holvorcem.
FRAQUINHO
Por
ter um brilho tão sutil, o cometa levou um pouco mais de tempo do que o
habitual até ser confirmado pala IAU (União Astronômica Internacional),
entidade que bate o martelo nas decisões astronômicas.
Isso
acontece porque, para confirmar as descobertas de cometas, os astrônomos
precisam ter seus dados publicados e averiguados por outros membros da
comunidade. Como nem todo mundo tem um telescópio grande ou um "interruptor
de estrelas", demorou mais.
A
confirmação oficial chegou em circular da IAU em 31 de maio e o cometa foi
batizado de C/2011 K1 (Schwartz-Holvorcem).