O
governo da Bolívia afirmou nesta quarta-feira (22) que irá devolver os veículos
roubados ou furtados em outros países e que estiverem circulando em solo
boliviano.
Desde o início de junho, uma medida polêmica decidiu legalizar todos
os carros e motos em situação irregular na Bolívia.
Já
foram cadastrados mais de 100 mil veículos que circulavam irregularmente até
agora, segundo o cônsul boliviano em Corumbá, Mato Grosos do Sul, Juan Carlos
Romero, de todos os carros e motos cerca de 8 mil estão sob suspeita. Eles
podem ter sido roubados em outros países. Depois do cadastro inicial será feita
uma perícia nos automóveis para verificar se o número do chassi e do motos são
do automóvel. Caso contrário, o carro será apreendido e o proprietário preso,
afirmou o cônsul.
O
governo da Bolívia afirmou que os veículos estrangeiros que tiverem registro de
roubo e furto serão devolvidos aos países de origem. Essa devolução pode
ocorrer até agosto, quando vence o prazo de 90 dias para a nacionalização de
carros e motos.
Já
o governo brasileiro afirma que não recebeu nenhum pedido da Bolívia para
trocar informações sobre os carros que foram roubados ou furtados no Brasil.
Essa é uma das principais preocupações da polícia brasileira. Só este ano em
Corumbá pelo menos 53 veículos já foram roubados. Segundo a polícia, carros e
motos de outras regiões do país também podem ter cruzado a fronteira para serem
legalizados.
Uma
caminhonete foi apreendida em uma blitz na cidade, ela foi comprada e
documentada em Goiás, mas circulava em Corumbá com placas da Bolívia. Segundo a
Polícia Civil o veículo será submetido a perícia para verificar se não houve
alteração no chassi. O delegado Eniltons Zalla explica que só com a cooperação
entre os dois países, será possível garantir a devolução dos carros roubados no
Brasil. “O caminho seria uma integração entre as polícias brasileiras e
bolivianas e uma integração entre os bancos de dados.”
Outro
fator que pode dificultar a devolução é a impossibilidade de se ter acesso aos
dados de todos os veículos que foram roubados. Apesar de existir um sistema
brasileiro que cadastre todos os veículos do território nacional, não há um
sistema semelhante na Bolívia. O governo boliviano diz que depois da
nacionalização esse sistema passará a existir.
Para
os estudiosos do direito internacional, até lá vai ficar difícil coibir a
entrada irregular de veículos brasileiros na Bolívia. “Não existe nenhum
histórico sobre o passado do veículo, então ele passa a existir no registro a
partir desse momento em que foi permitido seu registro, mesmo ele tendo sido
introduzido ilegalmente no país”, afirma o especialista em direito
internacional, Alcindo Júnior.