Eu era muito, muito
jovem quando o Santos conquistou seus dois primeiros títulos sulamericanos.
Ouvi dizer que ele só não ganhou mais, nos anos de 1960, porque privilegiou
excursões internacionais, muito mais lucrativas. Por conta disso, o Brasil
ficou muitos anos sem comemorar uma Libertadores da América.
Vieram os anos de 1970
e, afora 1973 e 1978, não tivemos grandes comemorações. Depois, só 1984 e 1997
trouxeram algum alento.
É importante lembrar,
no entanto, que o Alvinegro, time fora o eixo das grandes capitais, jogava
contra adversários dentro e fora de campo, visíveis e invisíveis. Nem por isso
deixou de escrever algumas das mais belas páginas do futebol nacional e
mundial: “de um passado e um presente só de glórias”, como diz seu hino.
Passado que transformou o Brasil em potência mundial, iluminando de vez o breu
do fracasso de 1950.
Passado que transformava os gramados em espelhos de noites
límpidas, pois havia tantas estrelas no céu como na terra, das quais a mais
brilhante é Pelé. Também havia os cometas, como os petardos fulminantes do
querido Pepe, o “Canhão da Vila”.
Quiseram tirar o
brilho do Santos! Disseram que ele havia acabado; virado um “timinho”.
Esqueceram tudo de bom que ele representara para o futebol brasileiro...
Bem, não dá para ganhar
sempre! Mas, mesmo quando o Alvinegro parecia reencontrar a “estrada do
paraíso”, como em 1983 e 1995, um “coro” invisível gritava: “Já chega!”,
frustrando as expectativas de quem, de fato, estava mal-acostumado, apesar de
todo merecimento demonstrado em
campo. Isso não bastava!
Aí chegou o século XXI
Em 2003, chegamos muito perto, mas perder a final não nos tirou o
brilho, reencontrado com a geração de Robinho e Diego. Além disso, depois de
anos de injustiça, o Santos foi reconhecido como legítimo octacampeão
brasileiro!
O Alvinegro voltou a ganhar títulos importantes, merecidos! Voltou
a revelar bons jogadores, muitos ótimos! Passou a ter “banco”!
É verdade que a emoção voltou aos corações santistas, às vezes
desnecessariamente, outras, excessivamente... Mas a “estrela” do Santos voltou
a brilhar, provando que sempre esteve lá: temporariamente oculta por tempos
nebulosos.
No entanto, apesar da miríade de títulos conquistados, sua camisa
mostrava apenas duas estrelas, cujo brilho, embora resplandecente, era de
outros tempos: daqueles que eu ainda era muito jovem para ter noção. Alguns
adversários passaram a desprezá-las, quem sabe por não terem nenhuma...
Mas elas voltaram a brilhar intensamente numa quarta-feira, num
palco do povo: o Pacaembu, que um dia alguém ousou dizer que deveria ser de um
só. De fato ele o é: mas só do futebol!
E veio a terceira estrela: a estrela da superação! A estrela de
redenção! Mais uma, supernova, da constelação alvinegra! E essa eu pude curtir
em plenitude, a plenos pulmões!
“Soy loco por tri América!”.
Valeu Santos FC! Já temos crédito de sobra para comemorar os Cem
Anos, em 2012!
Adilson Luiz Gonçalves
Mestre
em Educação
Escritor,
Engenheiro, Professor Universitário e Compositor