Quinta-feira, 23 de Junho de 2011         08h36        237
MAIS UMA ESTRELA!
Adilson Luiz Gonçalves

Eu era muito, muito jovem quando o Santos conquistou seus dois primeiros títulos sulamericanos. Ouvi dizer que ele só não ganhou mais, nos anos de 1960, porque privilegiou excursões internacionais, muito mais lucrativas. Por conta disso, o Brasil ficou muitos anos sem comemorar uma Libertadores da América.


Vieram os anos de 1970 e, afora 1973 e 1978, não tivemos grandes comemorações. Depois, só 1984 e 1997 trouxeram algum alento.


É importante lembrar, no entanto, que o Alvinegro, time fora o eixo das grandes capitais, jogava contra adversários dentro e fora de campo, visíveis e invisíveis. Nem por isso deixou de escrever algumas das mais belas páginas do futebol nacional e mundial: “de um passado e um presente só de glórias”, como diz seu hino. Passado que transformou o Brasil em potência mundial, iluminando de vez o breu do fracasso de 1950.


Passado que transformava os gramados em espelhos de noites límpidas, pois havia tantas estrelas no céu como na terra, das quais a mais brilhante é Pelé. Também havia os cometas, como os petardos fulminantes do querido Pepe, o “Canhão da Vila”.


Quiseram tirar o brilho do Santos! Disseram que ele havia acabado; virado um “timinho”. Esqueceram tudo de bom que ele representara para o futebol brasileiro...


Bem, não dá para ganhar sempre! Mas, mesmo quando o Alvinegro parecia reencontrar a “estrada do paraíso”, como em 1983 e 1995, um “coro” invisível gritava: “Já chega!”, frustrando as expectativas de quem, de fato, estava mal-acostumado, apesar de todo merecimento demonstrado em campo. Isso não bastava!


Aí chegou o século XXI

Em 2003, chegamos muito perto, mas perder a final não nos tirou o brilho, reencontrado com a geração de Robinho e Diego. Além disso, depois de anos de injustiça, o Santos foi reconhecido como legítimo octacampeão brasileiro!

O Alvinegro voltou a ganhar títulos importantes, merecidos! Voltou a revelar bons jogadores, muitos ótimos! Passou a ter “banco”!

É verdade que a emoção voltou aos corações santistas, às vezes desnecessariamente, outras, excessivamente... Mas a “estrela” do Santos voltou a brilhar, provando que sempre esteve lá: temporariamente oculta por tempos nebulosos.

No entanto, apesar da miríade de títulos conquistados, sua camisa mostrava apenas duas estrelas, cujo brilho, embora resplandecente, era de outros tempos: daqueles que eu ainda era muito jovem para ter noção. Alguns adversários passaram a desprezá-las, quem sabe por não terem nenhuma...

Mas elas voltaram a brilhar intensamente numa quarta-feira, num palco do povo: o Pacaembu, que um dia alguém ousou dizer que deveria ser de um só. De fato ele o é: mas só do futebol!

E veio a terceira estrela: a estrela da superação! A estrela de redenção! Mais uma, supernova, da constelação alvinegra! E essa eu pude curtir em plenitude, a plenos pulmões!

“Soy loco por tri América!”.

Valeu Santos FC! Já temos crédito de sobra para comemorar os Cem Anos, em 2012!


Adilson Luiz Gonçalves

Mestre em Educação

Escritor, Engenheiro, Professor Universitário e Compositor

 

 

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