As
rodovias representam um cenário de acidentes graves e mortes causadas por
imprudência ao volante. Mas, os seres humanos não são as únicas vítimas dessa
tragédia.
Há uma grande quantidade de animais silvestres atropelados nas
estradas municipais e federais que cortam os municípios de Mato Grosso.
Só em
um final de semana foram encontrados 18 animais silvestres mortos por
atropelamento, em um trecho de 57 quilômetros da rodovia federal 174, que liga
Mato Grosso a Rondônia, no percurso entre Cáceres e o trevo do Cacho (acesso a
Mirassol do Oeste). Animais como a capivara e tatu são encontrados mortos com
freqüência nas rodovias do estado.
O
agravante seria na rodovia BR-174 que corta trechos pantanosos, pois os animais
ao tentarem atravessar a pista acabam morrendo atropelados. O problema se torna
ainda mais grave no período chuvoso. As áreas marginais ficam alagadas, e os
animais utilizam as rodovias como refúgio. Segundo ambientalistas,
desmatamentos e queimadas também colaboram no aumento do índice de atropelamentos
e mortes de animais da fauna pantaneira.
Há
trechos mais críticos, especificamente entre os quilômetros 16 e 21, na região
do Pé de Anta e ainda nos 31
km de Cáceres ao Distrito de Caramujo. As espécies que
mais morrem nesse trecho são o lobete, a capivara e o tatu, mas também já foi
encontrado um jabuti. Já na extensão de 80 km da BR-070, que liga Cáceres a San
Mathias, na Bolívia, a ocorrência maior é o atropelamento de jacarés. Além da
ameaça à preservação de várias espécies, existe o perigo de acidentes com
vítimas. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) já registrou acidentes com mortes
devido a animais na pista.
Com
um volume de tráfego diário de 5.500 veículos nas rodovias BR-070 e 174, sendo
50% deles de carretas, a maioria dos bichos é atropelada por veículos
pesados. Há também o perigo de acidentes envolvendo equinos e bovinos. O
trecho das duas rodovias é ladeado por fazendas, por isso cercas
danificadas permitem que os animais escapem, sejam atropelados e causem
acidentes sérios.
Segundo
o inspetor-chefe da PRF em Cáceres, Nei Pedroso de Barros em muitos
casos, é a maldade dos motoristas que causa a morte do animal, pois ele sabe
que não vai danificar seu carro ao passar por cima de um jacaré, então nem ao
menos tenta desviar. No último final de semana, a PRF registrou um acidente que
envolveu três motoqueiros que praticavam um “racha” na BR-070. Eles atropelaram
uma vaca e houve feridos graves, com fraturas expostas.
Segundo
a PRF, no final de abril deste ano, uma ocorrência mais rara foi registrada na
BR-070. Um filhote de onça pintada foi atropelado, a um quilômetro do perímetro
urbano da cidade. O atropelamento ocorreu à noite e o felino foi encontrado de
manhã por moradores
O
patrulheiro da Polícia Rodoviária Federal do posto de Cáceres, Wilson Souza
Santos, que é formado em Biologia, chegou a fazer um estudo sobre este tipo de
ocorrência. Segundo ele, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA), chegou
a manter contato, mostrando interesse pelo estudo, mas foi apenas um único contato.
O
estudo realizado por Wilson foi desenvolvido ao longo de 7 meses de pesquisa,
no ano de 2001. Neste período, foram contados 456 animais mortos, sendo que
mais da metade 52,41%, eram mamíferos. O patrulheiro esclarece que dados mais
atualizados carecem de pesquisa, “mas certamente não houve diminuição destes
números, pois a frota automobilística somente aumentou de 2001 para cá”-
explicou.
Para
a redução dos atropelamentos, a solução, segundo Wilson, seria criar passagens
subterrâneas e cercar as laterais das pistas onde a ocorrência de
atropelamentos é maior. Ainda segundo o patrulheiro, aumentar a sinalização, e
realizar um trabalho de educação ambiental pode reduzir o índice de mortes e
atropelamento dos animais.