A
família das gêmeas siamesas indianas Saba e Farah Shakeel pediu que o governo
da Índia desse autorização para que elas fossem mortas, para evitar que
continuem sentindo dor.
As
gêmeas, de 15 anos, nasceram unidas pela cabeça, e se tornaram conhecidas em
2005, quando o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos,
xeque Mohammed bin Zayed al-Nahyan, decidiu pagar as despesas de sua cirurgia
de separação.
Na
época, a família das gêmeas optou por não realizar a operação. Mas nos últimos
quatro meses, os pais de Saba e Farah decidiram pedir ajuda ao governo indiano
para acabar com seu sofrimento.
As
irmãs sofrem de fortes dores de cabeça e dores agudas em todas as articulações
do corpo.
O
irmão mais velho de Saba e Farah, Tamanna Ahmad, disse ao jornal indiano India
Today que as duas estão presas na cama.
"Até
a fala delas se tornou mais confusa. Seus dedos e tornozelos estão
retorcidos", afirmou.
Segundo
Ahmad, a família não conta com ajuda financeira que permita pagar por um
tratamento médico e prefere que as gêmeas morram para que seu sofrimento seja
aliviado.
"Minha
mãe quer a permissão do presidente ou dos tribunais para que elas possam
morrer."
Separação
delicada
Em
2005, o xeque Mohammed al-Nahyan pagou pelas consultas das gêmeas com alguns
dos maiores especialistas em separação de siameses no mundo, incluindo a equipe
do neurocirurgião americano Benjamin Carson, do Hospital Pediátrico Johns
Hopkins, em Baltimore.
O
príncipe dos Emirados Árabes Unidos entrou em contato com Mohammed Shakeel
Ahmad, o pai das meninas, através da embaixada do país na Índia, depois de ler
uma reportagem sobre o caso.
Os
médicos descobriram que as duas meninas compartilhavam uma artéria, que leva o
sangue do corpo para o coração, e uma importante veia no cérebro. Além disso,
elas possuem somente dois rins, ambos no corpo de Farah.
Segundo
os especialistas, a separação completa só seria feita após uma série de
operações, mas havia grande possibilidade de que uma das gêmeas morresse.
A
família optou por não realizar as cirurgias por medo de perder uma das filhas,
mas a condição das gêmeas se deteriorou com o passar dos anos. Médicos disseram
à família que a dependência das gêmeas dos rins de Farah poderia causar pressão
alta, perda de peso e fraqueza.
O
pai de Saba e Farah sustenta a família de oito pessoas com o dinheiro obtido
com uma casa de chá em Patna, no leste da Índia, mas disse ao jornal britânico
The Daily Telegraph que não ganha o suficiente para os medicamentos que as duas
filhas precisam.
"As
meninas querem viver e aproveitar a vida como outras pessoas, mas quando estão
sentindo dores, elas choram e pedem ajuda", disse Shakeel.
A
mãe das gêmeas, Rabia Khatoon, disse ao India Today que, se o governo não puder
ajudar no tratamento, deve permitir que as gêmeas sejam sacrificadas.
"Pelo
menos será melhor do que vê-las sofrer todos os dias", disse.