A
ONU afirmou nesta terça-feira que algumas partes da região conhecida como
"chifre" da África, localizado no nordeste do continente, foram
atingidas pela pior seca dos últimos 60 anos, com mais de 10 milhões de pessoas
afetadas.
O
Escritório da ONU para Coordenação de Assuntos Humanitários afirmou que a crise
relativa à falta de alimentos na região, que inclui países como Somália,
Etiópia, Quênia, Uganda e Djibuti, é a pior do mundo.
Além
da seca, os conflitos na Somália têm forçado um número sem precedentes de
somalis a fugir para o Quênia, segundo informações da ONG Save the Children.
A
organização humanitária relata que, diariamente, cerca de 1,3 mil pessoas -
sendo ao menos 800 delas crianças - têm chegado ao campo de refugiados queniano
de Dadaab.
O
número mensal de chegadas ao campo mais do que dobrou no período de um ano,
afirma a Save the Children.
Algumas
famílias são forçadas a caminhar durante mais de um mês para chegar a Dadaab.
As crianças chegam exaustas, subnutridas e severamente desidratadas.
Campo
de refugiados
O
conflito na Somália já vinha forçando a fuga de cidadãos rumo ao Quênia. Mas a
forte temporada de secas e a alta no preço dos alimentos dificultaram ainda
mais a situação de milhões de somalis.
A
Somália é palco de um confronto entre o grupo islâmico Al-Shabab e um governo
de transição, que tem o apoio das tropas de paz da União Africana.
O
Programa Mundial de Alimentos da ONU (WFP, na sigla em inglês) estima que 2,5
milhões de somalis tenham sido afetados pela seca, com 58% deles vivendo do sul
do país.
Mas
até um milhão estão fora do alcance do WFP desde janeiro de 2010, segundo Peter
Smerdon, do escritório do programa em Nairóbi, no Quênia.
"Não
estamos trabalhando nas áreas do sul, controladas pelo Al-Shabab, depois que
nossas equipes foram ameaçadas, intimidadas e enfrentaram exigências de
pagamento", disse Smerdon à BBC.
Dadaab,
que é na verdade um conjunto de três assentamentos, é considerado o maior campo
de refugiados do mundo: abriga mais de 350 mil pessoas.
A
ONG Médicos Sem Fronteiras diz que muitos dos recém-chegados ao local precisam
desesperadamente de cuidados médicos.
Metade
das crianças que chegam ao campo nunca sequer foi vacinada.
Como
o conflito na Somália não dá sinais de trégua, e a expectativa é de que haja
mais meses de secas no país, as condições de vida em Dadaab - que já está
superlotado - tendem a piorar.
Até
o momento, os esforços para descongestionar o campo e realocar os refugiados
tiveram pouco sucesso.