Quarta-feira, 29 de Junho de 2011         14h49        74
Expedição percorre rio Paraguai até Buenos Aires
Diarionline/LD

Os quatro mil quilômetros que ligam a nascente do rio Paraguai - no Brejal das Sete Lagoas, na Serra dos Parecis, em Mato Grosso - até Buenos Aires, capital da Argentina, são percorridos a remo por quatro argentinos dentro da expedição "A La Tierra Sin Mal". O grupo que viaja de caiaques chegou a Corumbá no sábado, 25 de junho, e deve deixar a cidade até a próxima sexta-feira, 1º de julho. A viagem começou em 18 de maio e a previsão é chegar à capital portenha no final de setembro.

"Nosso objetivo é conscientizar sobre a preservação ambiental. O rio Paraguai e o Pantanal são únicos. A região pantaneira é única no mundo pela biodiversidade que tem aqui. Queremos conscientizar os povos sobre os cuidados com o meio ambiente", disse ao Diário Hermann Feldkamp, empresário de ecoturismo e um dos quatro integrantes da expedição. Os outros viajantes são Ezequiel Vela; Lucas de Miguel e Juan Martin Rivas.

"Vimos que da nascente, até antes de chegar ao Pantanal há muito desmatamento. De Cáceres para cá é diferente. Há menos população e o Pantanal é muita pureza", disse num breve comentário sobre a situação ambiental da planície e do rio Paraguai.

Feldkamp contou que ao longo da viagem, o grupo faz registros fotográficos e de imagens que vão servir de base para um documentário da expedição, a ser editado pelo Grupo de Comunicação e Ação Ambiental - El Agua Manda, uma espécie de organização não governamental. "A viagem vale muito à pena. Vamos exibir esse documentário em universidades e escolas, tanto da Argentina como do Brasil. Voltaremos aqui no próximo ano para a exibição do documentário".

O primeiro trecho da expedição foi bastante tranquilo, mas a grande quantidade de camalotes em um longo trecho do rio os impediu de navegar. Os quatro tiveram de seguir por terra até um ponto que os permitisse retomar a navegação. "Fizemos 500 quilômetros da nascente até Cáceres. Depois, havia muito aguapé e os moradores de lá, bem como a prefeitura, nos ajudaram a transportar nossos caiaques até o rio Cuiabá, em Porto Jofre. De lá continuamos a navegar até encontrarmos novamente o rio Paraguai e chegarmos ao Parque Nacional do Pantanal", disse Hermann.

Aventureiros remam até 60 quilômetros por dia

A chegada a Corumbá, e a estadia na cidade ao longo dos últimos dias, tem impressionado os quatro argentinos, que atuam profissionalmente nas áreas de ecoturismo; comércio e fabricação de embarcações. "Chegamos sábado à noite com a festa de São João. Fomos muito bem recebidos pelo povo pantaneiro e pelo Exército. Fomos muito bem recebidos aqui no Brasil e esperamos que no Paraguai tenhamos essa recepção. Falamos agora que todos vocês estão remando conosco", afirmou Hermann Feldkamp.

O grupo destacou a beleza natural da cidade e o potencial econômico e turístico do município. "Corumbá é uma cidade bela, com casarões e um patrimônio muito rico. Tem potencial muito grande para o ecoturismo. Fazer turismo aqui é incrível", observou Hermann, que na Argentina é empresário do ramo de ecoturismo.

Nesse mais de um mês de expedição, Hermann; Ezequiel; Lucas e Juan, remam entre 40 e 60 quilômetros por dia, o total depende muito das condições climáticas. Nos caiaques, cada um deles carrega uma média de 100 quilos - fora o peso do corpo - entre alimentos; roupas; equipamentos e acessórios.

"Para dormir procuramos um lugar na beira do rio. Mas, temos ficado com os ribeirinhos, a região do Pantanal está muito alagada. Nós levamos nossas barracas em nossos caiaques; além de comida para 10 dias. Na medida em que vamos chegando às cidades, reabastecemos com comida e água potável", explicou Juan Rivas.

Essa é a terceira expedição, o grupo já cruzou o sul do Brasil - da nascente do rio Uruguai, na confluência dos rios Canoas e Pelotas - até Buenos Aires e navegou, no ano passado, da Bolívia até Buenos Aires. Os quatro aventureiros da argentina ainda acalentam um sonho. "Queremos fazer o trecho Cáceres a Corumbá em conjunto com os brasileiros. É importantíssimo para nós essa ação de defender conjuntamente o meio ambiente. Somos povos irmãos" concluiu Hermann.

A expedição "A La Tierra Sin Mal" vai percorrer toda a extensão do rio Paraguai até encontrar o rio Paraná, de onde segue navegando até entrar em território argentino. Até Buenos Aires serão 1,2 mil quilômetros de remadas dentro do país de origem de cada um deles.

O nome da expedição é uma referência ao paraíso na "cosmo-visão" do povo Guarani. O paraíso para eles seria a Tierra Sin Mal, ou terra sem males, numa tradução livre.

 

 

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