Os
quatro mil quilômetros que ligam a nascente do rio Paraguai - no Brejal das
Sete Lagoas, na Serra dos Parecis, em Mato Grosso - até Buenos Aires, capital da
Argentina, são percorridos a remo por quatro argentinos dentro da expedição
"A La Tierra Sin
Mal". O grupo que viaja de caiaques chegou a Corumbá no sábado, 25 de
junho, e deve deixar a cidade até a próxima sexta-feira, 1º de julho. A viagem
começou em 18 de maio e a previsão é chegar à capital portenha no final de
setembro.
"Nosso
objetivo é conscientizar sobre a preservação ambiental. O rio Paraguai e o
Pantanal são únicos. A região pantaneira é única no mundo pela biodiversidade
que tem aqui. Queremos conscientizar os povos sobre os cuidados com o meio
ambiente", disse ao Diário Hermann Feldkamp, empresário de ecoturismo e um
dos quatro integrantes da expedição. Os outros viajantes são Ezequiel Vela;
Lucas de Miguel e Juan Martin Rivas.
"Vimos
que da nascente, até antes de chegar ao Pantanal há muito desmatamento. De
Cáceres para cá é diferente. Há menos população e o Pantanal é muita
pureza", disse num breve comentário sobre a situação ambiental da planície
e do rio Paraguai.
Feldkamp
contou que ao longo da viagem, o grupo faz registros fotográficos e de imagens
que vão servir de base para um documentário da expedição, a ser editado pelo
Grupo de Comunicação e Ação Ambiental - El Agua Manda, uma espécie de
organização não governamental. "A viagem vale muito à pena. Vamos exibir
esse documentário em universidades e escolas, tanto da Argentina como do
Brasil. Voltaremos aqui no próximo ano para a exibição do documentário".
O
primeiro trecho da expedição foi bastante tranquilo, mas a grande quantidade de
camalotes em um longo trecho do rio os impediu de navegar. Os quatro tiveram de
seguir por terra até um ponto que os permitisse retomar a navegação.
"Fizemos 500
quilômetros da nascente até Cáceres. Depois, havia muito
aguapé e os moradores de lá, bem como a prefeitura, nos ajudaram a transportar
nossos caiaques até o rio Cuiabá, em Porto Jofre. De lá continuamos a navegar até
encontrarmos novamente o rio Paraguai e chegarmos ao Parque Nacional do
Pantanal", disse Hermann.
Aventureiros
remam até 60
quilômetros por dia
A
chegada a Corumbá, e a estadia na cidade ao longo dos últimos dias, tem
impressionado os quatro argentinos, que atuam profissionalmente nas áreas de
ecoturismo; comércio e fabricação de embarcações. "Chegamos sábado à noite
com a festa de São João. Fomos muito bem recebidos pelo povo pantaneiro e pelo
Exército. Fomos muito bem recebidos aqui no Brasil e esperamos que no Paraguai
tenhamos essa recepção. Falamos agora que todos vocês estão remando
conosco", afirmou Hermann Feldkamp.
O
grupo destacou a beleza natural da cidade e o potencial econômico e turístico
do município. "Corumbá é uma cidade bela, com casarões e um patrimônio
muito rico. Tem potencial muito grande para o ecoturismo. Fazer turismo aqui é
incrível", observou Hermann, que na Argentina é empresário do ramo de
ecoturismo.
Nesse
mais de um mês de expedição, Hermann; Ezequiel; Lucas e Juan, remam entre 40 e 60 quilômetros por
dia, o total depende muito das condições climáticas. Nos caiaques, cada um
deles carrega uma média de 100 quilos - fora o peso do corpo - entre alimentos;
roupas; equipamentos e acessórios.
"Para
dormir procuramos um lugar na beira do rio. Mas, temos ficado com os
ribeirinhos, a região do Pantanal está muito alagada. Nós levamos nossas
barracas em nossos caiaques; além de comida para 10 dias. Na medida em que
vamos chegando às cidades, reabastecemos com comida e água potável",
explicou Juan Rivas.
Essa
é a terceira expedição, o grupo já cruzou o sul do Brasil - da nascente do rio
Uruguai, na confluência dos rios Canoas e Pelotas - até Buenos Aires e navegou,
no ano passado, da Bolívia até Buenos Aires. Os quatro aventureiros da
argentina ainda acalentam um sonho. "Queremos fazer o trecho Cáceres a
Corumbá em conjunto com os brasileiros. É importantíssimo para nós essa ação de
defender conjuntamente o meio ambiente. Somos povos irmãos" concluiu
Hermann.
A
expedição "A La Tierra
Sin Mal" vai percorrer toda a extensão do rio Paraguai
até encontrar o rio Paraná, de onde segue navegando até entrar em território
argentino. Até Buenos Aires serão 1,2 mil quilômetros de remadas dentro do país
de origem de cada um deles.
O
nome da expedição é uma referência ao paraíso na "cosmo-visão" do
povo Guarani. O paraíso para eles seria a Tierra Sin Mal, ou terra sem males,
numa tradução livre.