Sexta-feira, 01 de Julho de 2011         07h51        235
Artigo: Folhas Mortas
Adilson Luiz Gonçalves

“Moro num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza", já dizia Jorge Benjor. Mas, confesso que gosto mais do inverno que do verão.

É verdade que quando o frio é intenso não dá a menor vontade de sair da cama. Um simples e necessário banho se transforma num extremo exercício de masoquismo, sobretudo quando, por uma daquelas infelicidades do destino, falta energia ou “queima” a resistência do chuveiro, sem estoque de reposição... Obviamente, estou falando de males que só afetam os simples mortais, que usam chuveiro elétrico. Mas, pelo "andar da carruagem", os "gasosos" também devem ficar "espertos"... Nesse contexto: viva os "solares"!

É claro que uma noite quente e cheia de gente nas ruas é uma festa! Mas uma noite fria e estrelada, com as árvores balançando levemente ao sabor do vento, tem muitos e especiais encantos. Entre eles está a elegância das mulheres, que ficam mais belas quando se vestem e ainda mais sensuais quando se despem; o calor saboroso de um bom vinho tinto, sem excessos; o retorno festivo à infância das quermesses regadas a quentão, pinhão, correio elegante, quadrilhas e fogueiras. Só não gosto dos balões, pois a beleza das formas e a sensação de liberdade que iluminam não compensam o risco de seu pouso incerto e potencialmente destrutivo.

Ah, o inverno! Os abraços são mais longos e os beijos mais ardentes, se bem que o amor não escolhe tempo, hora, lugar ou paisagem: só precisa que "pinte um clima", que mesmo no frio aquece!

Inverno: época em que um café ou chocolate quente ajudam a suportar uma noite fria de trabalho ou de vigília; um cobertor ou edredom aquece o sono dos que amamos, o qual, em plena madrugada temos o cuidado de ajeitar com a preocupação do acalanto e como desculpa para um terno beijo no rosto ou na testa.

Mas, se o inverno pode inspirar romantismo, prazer e beleza, também torna a solidão, o abandono, a falta de um teto e a tristeza ainda mais dramáticos, doloridos e, até, fatais! É quando o espírito debilitado tende a transformar o álcool num agasalho ilusório, que entorpece a alma, mas não poupa o corpo.

Por isso o inverno também deve ser tempo de um tipo diferente de calor: o da solidariedade! Tempo de doação e de boa ação que, aliás, deveria valer para todo o ano.

E o inverno já chegou, depois das folhas mortas do outorno! Mas esse tempo não é - nem precisa ser - um inverno de amores, como o da canção de Prévert e Kosma, na voz solitária de Montand. É um prenúncio de renovação: mais uma estação no percurso da humanidade pelo mundo, rumo ao futuro e ao encontro de si própria! É um tempo de aproximação e reaproximação, onde o calor humano é tão imprescindível quanto o dos aquecedores e cobertores. É um tempo em que a maior distância do astro-rei precisa ser compensada pelo calor do sol que existe em cada um de nós!

É um tempo de folhas mortas, mas de corações ainda mais vivos!

 

Adilson Luiz Gonçalves

Mestre em Educação

Escritor, Engenheiro, Professor Universitário e Compositor

Ouça textos do autor em: www.carosouvintes.org.br

 

 

AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Edição de Notícias. É vedada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. Edição de Notícias poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.

Nome Profissão
E-Mail Localidade
Comentário

 
 
 
   voltar  imprimir  indicar para amigo
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PARCEIROS
 
 
  Acidentes   Artigo   Brasil   Brasil 2014   Cidades   Ciência e Saúde
  Coxim   Cultura   Economia   Educação   Eleições 2012   Emprego e Concursos
  Enquete   Esportes   Feriadão   Geral   Internauta Repórter   Mundo
  Olimpíadas 2012   Polícia   Política   Tecnologia   Turismo   Veículos

2007-2012 edicaoms.com.br Todos os direitos reservados. Política de privacidade. 616  

contato