As
retiradas de recursos da caderneta de poupança superaram os depósitos em R$ 3
bilhões no primeiro semestre deste ano, informou o Banco Central nesta
terça-feira (6). Foi a maior retirada líquida de recursos para os seis
primeiros meses de um ano desde 2006 - quando R$ 8,16 bilhões foram sacados.
Em
junho, porém, houve o ingresso de R$ 220 milhões na mais tradicional modalidade
de investimentos do país. Mas o resultado positivo foi assegurado somente no
último dia útil do mês passado. Até o penúltimo dia de junho, o saldo estava
negativo em mais de R$ 2 bilhões.
Em
todo ano de 2010, a
poupança recebeu um volume recorde de recursos (R$ 38,68 bilhões), apesar do
baixo rendimento.
Depósitos e retiradas
No primeiro semestre deste ano, de acordo com o Banco Central, os depósitos de
recursos na caderneta de poupança somaram R$ 604 bilhões, enquanto que as
retiradas totalizaram R$ 607 bilhões. Ao fim de junho, o saldo total de
recursos depositados na poupança somou R$ 388,7 bilhões, contra R$ 378,7
bilhões no fechamento de 2010.
Rendimento
De janeiro a junho deste ano, a caderneta de poupança apresentou um rendimento
de cerca de 3,6%. No mesmo período, os fundos de renda fixa, de acordo com
dados da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), apresentaram
uma remuneração de 5,9%, enquanto que os fundos referenciados em DI (que
acompanham os juros básicos da economia) apresentaram rendimento de 5,6%.
Na
poupança, cuja correção é determinada pela variação da taxa referencial (TR)
mais 0,5% ao mês, não é cobrada taxa de administração e nem Imposto de Renda
(IR) - ao contrário dos investimentos em fundos. Nos seis primeiros meses deste ano, o
ingresso de recursos nos fundos de investimento em renda fixa somou cerca de R$
38,7 bilhões.
Crédito imobiliário
As aplicações em caderneta de poupança estão divididas em duas modalidades:
Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) e a chamada poupança rural.
No
caso do SBPE, 65% dos recursos devem ser destinados a empréstimos imobiliários,
o que aumenta a disponibilidade de financiamentos para a compra da casa
própria, e, na poupança rural, os recursos são canalizados para o
desenvolvimento da agricultura.
No
primeiro semestre de 2011, o SBPE teve uma retirada líquida (acima do volume de
depósitos) de R$ 172 milhões. A saída de recursos da caderneta de poupança,
portanto, não é positiva para o crédito imobiliário.