A última edição do tabloide News of World deve chegar às bancas
britânicas neste domingo com uma capa que diz apenas "Obrigado e adeus".
O jornal, o mais vendido da Grã-Bretanha aos domingos, com 2,8 milhões
de exemplares, deixará de circular após 168 anos, em meio a um escândalo de
grampos ilegais que está causando comoção no país.
Acredita-se que a edição final bata recordes de vendas: ganhará
uma tiragem de quase 5 milhões de cópias neste domingo.
O jornal é acusado de ter interceptado milhares de ligações
telefônicas de celebridades, políticos, soldados britânicos e pessoas de
interesse mídiático, como crianças desaparecidas.
O escândalo veio à tona pela primeira vez em 2006, mas ganhou
proporção nos últimos dias, com a denúncia de que um detetive que trabalhava
para o tabloide teria grampeado o telefone celular de Milly Dowler, uma menina
de 13 anos que desapareceu em 2002.
A manipulação das mensagens, ainda em 2002, fez a polícia e a
família da adolescente de 13 anos acreditarem que ela ainda estaria viva, já
que sua caixa postal continuava em atividade. O corpo foi encontrado depois.
Logo após a revelação do caso, os jornais britânicos noticiaram
que, em busca de histórias exclusivas, o News of the World teria feito escuta
nos celulares de parentes de vítimas dos atentados de 7 de julho de 2005, em
Londres, e de familiares de soldados britânicos mortos no Afeganistão e no
Iraque.
O escândalo fez com que Rupert Murdoch, dono do conglomerado que
publica o News of the World, anunciasse o fechamento do jornal. O magnata deve
chegar a Londres neste fim de semana, para lidar com os desdobramentos da
crise.