Depois
de dois dias seguidos de baixas temperaturas e lavouras cobertas de gelo, na
última semana, no centro-sul de Mato Grosso do Sul, agricultores contabilizam
prejuízo de 50% da área plantada no estado. De acordo com levantamento
divulgado pela Fundação MS neste mês de julho, as perdas já são estimadas em R$
200 milhões.
De
acordo com o produtor e engenheiro agrônomo, Luiz Ross, as folhas ficaram secas
e os grãos estão molhados, sinal de que a planta está morrendo. Ele é dono da
fazenda Princesa dos Campos e se destaca na produção de milho em Maracaju. O município,
distante 162
quilômetros de Campo Grande, é o maior produtor de grãos
do estado. As lavouras do município foram castigadas pela geada.
“Na
minha lavoura a planta ainda estava em fase de formação, de milho verde. Nesse
caso as perdas são de praticamente 100%, não há mais o que fazer. Só vai sobrar
a palha que nós teremos que dar um jeito de destruir para fazer a próxima
safra”, explica o produtor.
De
acordo com levantamento feito pela Fundação MS, somente em Maracaju, as perdas
podem chegar aos R$ 33 milhões. Os prejuízos se estendem também por boa parte
das regiões central e sul do estado. Ainda segundo o órgão de pesquisa, a média
de produtividade que no ano passado foi de 65 sacas por hectare em Mato Grosso do Sul,
deve cair para 40.
“As
regiões de Dourados, Rio Blilhante e outros municípios próximos, sentiram
bastante esse efeito e em torno de 50% da área de milho plantada sofreram
incidência de geada. Mais os municípios do cone sul só estado sofreram ainda
mais. Em Aral Moreira
temos uma incidência de 90% a 100% das lavouras foram prejudicadas. Estimamos
uma perda mínima de R$ 200 milhões”, afirma André Lourenço, engenheiro agrônomo
da Fundação MS.
Os
dados não levam em consideração a perda de qualidade dos grãos, por isso o
prejuízo pode ser maior. Segundo a Fundação praticamente metade dos 950 mil
hectares cultivados com milho no estado, ainda não está com a produção
garantida.
Os
pesquisadores explicam que a geada atingiu em cheio o milho safrinha na fase
jovem, de enchimento dos grãos, quando a planta fica mais suscetível. A geada
chegou no tempo certo, mas cerca de 50% do milho safrinha foi plantado fora da
época recomendada no estado.
O
grande volume de chuvas no mês de março, impediu a colheita da soja e atrasou o
plantio milho. Do norte ao sul do estado, na terra encharcada, plantadeiras
trabalhavam com dificuldades para garantir o cultivo do grão. Plantar fora do
prazo indicado pelo Ministério da Agricultura, sem financiamento e seguro, foi
a única alternativa para muitos produtores.
O
produtor rural Joceli Gianlupi chegou a investir mais nesta safrinha e até
ampliou a área cultivada. Mas por causa do excesso de chuva também plantou o
milho dez dias após o prazo estipulado pelo zoneamento agrícola. Assumiu o
risco. Pretendia colher 70 sacas por hectare. Por causa das perdas a
produtividade deve cair aproximadamente 40%. O prejuízo vai influenciar os
próximos investimentos.
A
gente não contava com geadas dessas dimensões. Agora vamos ter que segurar
alguns gastos e pensar em outros investimentos para dar conta do prejuízo”,
conta o produtor.