A
direção da Seebla Engenharia afirmou neste domingo, 10, ao Estado que a
Petrobrás sabe desde o dia 11 de maio do assédio da empresa Manchester Serviços
Ltda. para fazer um acordo numa licitação de R$ 300 milhões na Bacia de Campos,
região de exploração do pré-sal no Rio de Janeiro. A Manchester pertence ao
senador Eunício Oliveira (PMDB-CE).
De
acordo com a Seebla, o episódio foi relatado à ouvidoria da Petrobrás. O número
de protocolo da denúncia, segundo a empresa, é 03.730. Além da denúncia
oficial, a empresa também diz que relatou o episódio ao gerente executivo da
Petrobrás, José Antonio Figueiredo.
Na
sua edição deste domingo, o Estado revelou que a Manchester, com o intuito de
fraudar a licitação, soube com antecedência da relação de concorrentes. O
contrato de R$ 300 milhões deve substituir os serviços emergenciais que já
renderam R$ 57 milhões sem licitação para a empresa do senador. De posse dos
nomes dos concorrentes, a Manchester procurou empresas para fazer acordo e
ganhar o contrato. Uma das visitadas pela direção da Manchester foi a própria
Seebla, conforme mostram os registros do prédio dessa empresa em São Paulo.
Em
resposta ao Estado na sexta-feira, a Petrobrás afirmou que
"desconhece" qualquer conversa entre concorrentes antes da licitação.
O diretor da ouvidoria da Seebla, Milton Rodrigues Júnior, disse ontem que
relatou à Petrobrás "chantagem" e "ameaça de retaliação"
pela Manchester antes da licitação, ocorrida no dia 31 de março. O relato
ocorreu em 11 de maio, doze dias depois de a comissão de licitação declarar a
proposta da Manchester em primeiro lugar com um valor R$ 64 milhões a mais do
que a oferta da Seebla.
Segundo
Rodrigues, haverá uma reunião amanhã com a ouvidoria da estatal no Rio para que
sejam fornecidos mais detalhes do episódio. No encontro, segundo ele, a Seebla
deve informar que tipo de acerto foi oferecido pela empresa de Eunício Oliveira
antes da concorrência. Uma proposta que, de acordo com a Seebla, envolveria
repasse de porcentuais do contrato que a Manchester fecharia com a Petrobrás.
Documentos neste sentido devem ser entregues à estatal. O senador e a Petrobrás
divulgaram notas negando irregularidades no processo.