Uma
americana adotou a própria filha biológica em um tribunal de Los Angeles mais
de 40 anos depois de ela ter sido sequestrada pela babá.
Ronique
“Pepper” Smith, hoje com 41 anos, foi levada de casa aos três meses de idade pela
babá, Shirley Berthelot. A mãe dela, Jolene Coleman, diz ter passado a vida
tentando achar a menina, sem sucesso.
O
reencontro só
foi possível, tanto tempo depois, devido a uma série de coincidências.
Adoção
Após
sequestrar Ronique ainda bebê, Shirley teria dado a menina para uma amiga,
Barbara Christie, que a adotou legalmente junto com o marido, Robert, e deu a
ela o nome de Rhonda Patricia Christie.
Neste
momento, os direitos legais de Coleman em relação à filha terminaram, apesar de
ela nunca ter sido contactada sobre o assunto, segundo suas declarações à
imprensa local.
Quatro
anos depois, Shirley sequestrou a menina novamente. Agora sob o nome de “Pepper
Smith”, a menina passou a ter uma vida nômade, morando em trailers e hotéis de
beira de estrada e indo muito pouco à escola.
Em
declarações a jornais locais, ela contou que se lembrava de um quarto
cor-de-rosa e de uma mãe carinhosa e que sabia que tinha sido sequestrada, mas
nunca teve uma pista sobre sua verdadeira identidade.
Shirley
morreu de câncer, em 1986, quando Pepper tinha 16 anos, mas
teria se recusado a dar qualquer informação sobre a família da jovem.
Documentos
A
vida inteira, Pepper enfrentou problemas por não ter documentos. O problema se
agravou quando ela teve uma filha.
Segundo
o Nevada Appeal News Service, tudo o que ela tinha era uma data de nascimento,
16 de setembro de 1969, e a lembrança de que seus pais se chamavam "Bobby
e Bobby".
Em
2010, uma funcionária de um cartório da Califórnia deduziu que Bobby poderia
ser um apelido para Barbara e encontrou uma certidão de nascimento. Pepper era
"Rhonda Patricia Christie", a filha adotiva de Barbara e Bob
Christie.
Pepper foi atrás
da família e encontrou a mãe adotiva lutando contra um câncer terminal, mas
muito feliz em reencontrá-la.
Desenrolar
A
história ganhou destaque no noticiário americano e teria sido assistida na TV
por Jolene Coleman, a mãe biológica, que reconheceu a filha. Coleman contactou
a advogada de Pepper, Gloria Allred, e passou por um exame de DNA que confirmou
a relação entre as duas.
Pepper
ganhou então mais uma mãe, que decidiu então adotá-la legalmente em um tribunal
de Los Angeles.
"Pela
primeira vez na minha vida, me sinto uma pessoa inteira...não mais fragmentada.
Eu sinto que posso ter orgulho, falar meu nome com confiança, sabendo que sou
eu", disse Ronique “Pepper” Smith a jornalistas.
"É
um milagre que eu nunca achei que iria acontecer. E eu sou muito
agradecida", disse Coleman. BBC Brasil - Todos os direitos reservados.