Na última semana, a Solvet Química Comercial Ltda juntamente com seus parceiros a Basf e MercK Sharp & Dohme, realizaram um grande evento em Coxim para abordar as “Atuais Ferramentas Disponíveis para Controle da Leishmaniose Visceral Americana (LVA) em Regiões Endêmicas do Estado do Mato Grosso do Sul”.
Cerca de 200 pessoas advindas dos municípios da Região Norte estiveram presentes no evento que teve início às 8 horas com um belo café da manhã, em seguida houve o credenciamento e posteriormente as palestras na sala de convenções do Hotel Coxim finalizando com almoço para os participantes.
O objetivo do encontro foi trazer aos profissionais de saúde as mais recentes ferramentas disponíveis e ao alcance das autoridades sanitárias para o controle desta endemia além de apresentar as experiências no controle que outros municípios do País estão usando com sucesso.
Em Coxim, por exemplo, onde a doença teve um avanço considerável, o gerente geral de saúde, Saimon Cândido, disse que desde 2009 estão sendo realizados diversos trabalhos para controlar a doença no município. “Devido às prerrogativas para se instalar um CCZ (Centro de Controle Zoonozes) na cidade, temos uma grande preocupação, pois o estado tem outras prioridades no momento, porém as nossas necessidades são muito grandes, municípios maiores estão na frente, mas nosso processo para a instalação está em andamento e esperamos em breve contar com este benefício” afirmou.
De acordo com Saimon, a Secretaria tem se esforçado para alcançar sucesso no controle à Leishmaniose Visceral e em agosto deve realizar uma ação geral na cidade, com mais de duas mil coletas para um novo inquérito canino.
Palestras - Vários profissionais de renome palestraram no evento como a pesquisadora professora-doutora Vera Lucia Fonseca de Camargo-Neves coordenadora do Grupo de estudos em Leishmanioses, da Superintendência de Controle de Endemias, , da Secretaria de Estado da Saúde do Estado de São Paulo. A pesquisadora trouxe muitas particularidades sobre o inseto e alertou a todos que o transmissor da doença, Lutzomyia longipalpis, está se adaptando ao ambiente domiciliar e que a expansão da doença deve-se a esta adaptação do vetor.
Para a pesquisadora não é possível erradicar a doença e sim controlar a incidência em seres humanos. Ela Explica que apenas com o sacrifício dos cães não se consegue atingir o principal objetivo do controle que é a redução do número de casos humanos, controle e redução da prevalência canina, é preciso uma ação integrada utilizando-se de todas as ferramentas disponíveis, controlando a densidade vetorial e o reservatório doméstico. È necessário a parceria entre setor público, profissionais capacitados e principalmente, população consciente, pois o transmissor se adapta ao meio ambiente.
Segundo pesquisadora, em estudo realizado sobre a bioecologia de Lutzomyia longipalpis, o vetor possui características noturnas sendo o horário de pico para fêmea exercer a hematofagia (hábito de sugar sangue para a maturação de seus ovos) por volta das 20hs às 20h50 e, sendo a maior densidade encontrada nos meses de março e abril. Vera afirma que caso encontre condições favoráveis como acúmulo de matéria orgânica em especial a vegetal e outras situações propícias para sua reprodução e moradias vulneráveis para sua entrada no interior das casas e contacto com hospedeiros, isto é, seres humanos e animais domésticos, respectivamente; não adiantará borrifar uma cidade inteira, e sim, realizar ações de manejo ambiental de forma a reduzir o número de possíveis criadouros do vetor, já que este se reproduz no solo. Para Vera, deve-se agir de forma conjunta unindo o poder público e a iniciativa privada voltada para a promoção da saúde, pois a doença está em expansão caracterizando-se pela sua urbanização.
“Com as ações de controle da LVA atualmente preconizadas pelo Ministério da Saúde se implementadas periódica e integralmente verificamos o controle da morbidade humana e redução da prevalência canina, porém no nosso estudo utilizando as coleiras impregnada com Deltametrina 4% verificamos que a redução da prevalência canina foi significamente maior comparado com áreas que apenas utilizaram as medidas hoje preconizadas” Medidas isoladas como a eutanásia de cães infectados ou o controle químico domiciliar não surtem resultados no controle da doença , assim como não basta distribuir coleiras para toda a população, é preciso integrar e capacitar todos os envolvidos no Programa de Controle da LVA e essencial a participação da população no controle” ressalta Vera.
Uso de Coleiras - Andrei Nascimento que é médico veterinário e gerente técnico Intervet Schering Plough para Animais de Companhia ministrou a segunda palestra da manhã abordando o uso das coleiras no controle da doença. Para o veterinário, a grande dificuldade no controle da Leshmaniose Viceral é colocar essa ferramenta à disposição do programa estipulado pelo Ministério. A coleira, conforme estudos nacionais e internacionais, se encaixa bem no que diz respeito à proteção, efetividade, eficácia e impacto ambiental.
Controle Químico Vetorial - Rose Mary Costa Fernandes, médica veterinária especialista em Saúde Pública e Representante Técnica Basf, apresentou a última palestra e trouxe para os participantes o conhecimento de um produto específico para borrifação com inseticida. Para veterinária, todas as ações são importantes e quanto a utilização de um produto químico para controle ambiental do vetor, é preciso utilizar produtos que sejam de qualidade, eficientes e com baixas concentrações. “A preocupação da Basf no desenvolvimento deste produto, foi apresentar soluções com consciência. A Solvet é uma empresa com esta característica e que hoje está demonstrando isso mais uma vez, pois tem qualidade, profissionalismo e comprometimento junto à saúde pública e foi isso que fez a Basf torná-la uma parceira”, elogiou Rose.
Para Andrei Nascimento, o evento foi muito positivo, pois, gerar conhecimento sobre esse assunto é muito importante, afinal muitas pessoas ainda não sabem como lidar com a cadeia de transmissão da doença. “Quanto mais ferramentas disponíveis e ao alcance das autoridades sanitárias, maior será nosso domínio e controle sobre a Leishmaniose”, finalizou o veterinário.