O
jornalista Sean Hoare, ex-repórter de celebridades do tabloide "News of
the World" e o primeiro a afirmar que o editor Andy Coulson sabia das
escutas telefônicas praticadas pelo jornal, foi encontrado morto, afirma nesta
segunda-feira (18) o jornal britânico “The Guardian”.
Segundo o “Guardian”, Hoare foi encontrado morto na casa dele, em Watford.
Ele
trabalhou nos tabloides "Sun" e "News of the World" com
Coulson antes de ser demitido por problemas com álcool e drogas.
A polícia de Hertfordshire ainda não confirmou a identidade do homem, diz o
jornal, mas em um comunicado, confirmou a morte de um homem no endereço dele às
10h40 desta segunda-feira (18), por razões ainda desconhecidas. “Uma
investigação policial no local do incidente está em andamento”, diz o texto.
Hoare
denunciou o uso de escutas ilegais usadas pelo "News of the World"
com suas fontes inicialmente no jornal “The New York Times”. Na época, ele
afirmou que não apenas Coulson sabia das escutas ilegais, como encorajava a
equipe a interceptar ligações telefônicas de celebridades em busca de notícias
exclusivas.
Numa
entrevista posterior à BBC, Hoare também afirmou ter recebido uma orientação
pessoal de Coulson, então editor do "NoW", para fazer as escutas.
Assessor
do primeiro-ministro James Cameron à época, Coulson sempre negou o uso de
escutas telefônicas pelo tabloide que editou.
Coulson
foi preso na semana passada pela polícia, e libertado várias horas depois
mediante pagamento de fiança, sob a suspeita de que tinha subornado policiais e
interceptado ligações durante sua época à frente do tabloide.
Mais
recentemente, na semana passada, Hoare denunciou que os jornalistas do tabloide
tinham acesso a tecnologia policial para poder localizar pessoas mediante
sinais de celular em troca de subornos aos agentes.
No
entanto, quando em setembro de 2010 foi convocado a comparecer a uma delegacia
em Londres, Sean Hoare não quis relacionar Coulson com as escutas.
Jornal
dominical mais vendido do Reino Unido, o "News of the World", do
magnata Rupert Murdoch, encerrou as atividades no início do mês após 168 anos,
sob a acusação de ter realizado ao menos 4 mil escutas ilegais desde 2000.