O
governo lançará uma ofensiva para combater e reduzir o abate clandestino de bovino no país. Estima-se que metade da carne bovina consumida no Brasil
tenha origem em abatedouros sem nenhuma inspeção, fiscalização ou
acompanhamento de autoridades sanitárias.
O
Ministério da Agricultura passará a fazer convênios com Estados e municípios
para tornar mais ampla e efetiva a fiscalização do comércio de carne em
território nacional. O governo federal estabelecerá, dentro do Sistema Único de
Atenção à Sanidade Agropecuária (Suasa), uma "equivalência sanitária"
com os dois outros entes federativos. Isso permitirá a venda de produtos da
agricultura familiar em todo o país, não importando em que cidade ou Estado sejam
fabricados. Os produtos para exportação continuarão a seguir normas fixadas
exclusivamente pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF).
As
regras foram decididas em conjunto pelos ministros da Agricultura, Wagner
Rossi, e do Desenvolvimento Agrário, Afonso Florence, em audiência recente com
a presidente Dilma Rousseff. A presidente também deu "sinal verde" à
abertura de concurso público para contratação imediata de agrônomos e médicos
veterinários ao Ministério da Agricultura.
Foi
definido que os serviços de inspeção de Estados e municípios serão responsáveis
pelo credenciamento de frigoríficos interessados em aderir ao novo Sistema
Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi-POA).
O
ministro da Agricultura, Wagner Rossi, rejeita tratar-se de uma "flexibilização"
das regras do Suasa, criado em 2006, mas de uma "adequação" às
condições produtivas locais e uma "ampliação" do combate à produção
clandestina no país. "Vamos trazer todo mundo para uma norma geral. O
grande foco é combater o abate clandestino", disse o ministro ao Valor.
"Estamos adotando a sensibilidade social com os agricultores familiares.
Mas o Ministério da Agricultura poderá fazer, a qualquer momento, a supervisão
dos processos. E haverá uma absoluta vinculação das exportações ao SIF".
Havia,
até aqui, uma divergência entre as equipes técnicas dos dois ministérios. A
Agricultura queria manter o controle total da fiscalização e o Desenvolvimento
Agrário não admitia perder a prerrogativa para regular as atividades da
produção familiar.
Agora,
com a arbitragem da presidente Dilma, encontrou-se uma solução intermediária.
"O ministro Florence concordou com essa arbitragem. A agricultura familiar
tem dificuldades para vender sua produção além do município. Com esse
credenciamento, eles poderão vender para todo o Brasil", resumiu o
ministro Rossi.
Em
60 dias, fiscais federais farão auditorias nos entes federados previamente
cadastrados para aferir sua capacidade de atender às normas da União. Serão
exigidas estruturas mínimas em Estados e municípios. Os Estados cadastrarão os
municípios e, se uma unidade federativa não tiver condições ou interesse em
aderir ao novo Suasa, a União fará diretamente o cadastramento do município. E
delegará poderes de inspeção e fiscalização aos prefeitos. "Os governadores
e prefeitos poderão solicitar prazos e treinamento para adequar sua atuação.
Hoje, há Estados que não têm um serviço de inspeção estruturado",
explicou.
O
governo federal fará um amplo programa de qualificação da fiscalização.
Treinará agrônomos, veterinários e zootecnistas estaduais e municipais dentro
das regras de inspeção e fiscalização fixadas pela União. Um grupo inicial de
66 fiscais federais será treinado para que formem novos auditores e inspetores
nas unidades federadas.
O Ministério da Agricultura também enviará seus fiscais
federais para treinamento intensivo nos principais mercados mundiais
importadores de produtos agropecuários, como Rússia, União Europeia, Japão e
EUA.