Com a baixa umidade do ar, desde o início de 2011, crianças
e adolescentes foram os que mais procuraram atendimento médico na Capital com dificuldades
respiratórias.
Segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde Pública de Campo
Grande (SESAU), de janeiro a maio deste ano, cerca de 108 mil pessoas foram
atendidas em postos, hospitais, Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Unidades de
Atendimento, apresentando problemas respiratórios.
Desta soma, 46 mil eram crianças de 0 a 9 anos de idade e 15 mil,
dos 10 aos 19 anos.
O restante dos números ficou distribuído entre as faixas de 20 a 29 anos, com 15 mil
pessoas, de 30 a
39 anos, dez mil, de 40 a
49 anos, sete mil, e de 50 a
59 com seis
mil. Os idosos, mesmo sendo foco de maior preocupação depois das crianças
durante o clima seco, foram os que menos procuraram os postos de saúde este
ano.
Segundo a SESAU, apenas 9 mil pessoas acima de 60 anos procuraram
ajuda médica apresentando problemas respiratórios.
Na última sexta-feira (15) Campo Grande registrou a menor umidade relativa do
ar do Brasil ao meio dia, com 28%, na região do aeroporto, segundo
informações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Ainda conforme os dados da SESAU, doenças como bronquite aguda e crônica, pneumonia,
gripe influenza, renite, entre outras doenças pulmonares e respiratórias, foram
as mais apresentadas na Capital neste período.
Na manhã desta terça-feira (19) a pensionista Etelvina Gonçalves, de 68 anos,
precisou levar a neta de dois meses para fazer inalação no Posto de Saúde
Tiradentes: “Minha neta já nasceu numa época difícil, por causa da baixa umidade
do ar, ela está com muita dificuldade de respirar. A médica
daqui nos orientou a fazer inalação nela, senão pode causar uma doença
mais grave”, contou a pensionista.
Mesmo com um
aparelho de inalação em casa, o mecânico Roberto Matias, de 33 anos precisou
levar a filha de três meses para fazer a inalação no Posto: “Faz uma semana
que estamos fazendo isso em casa, mas minha menina ainda está com uma tosse
carregada, respira mal, por isso achei melhor trazê-la aqui”, relata Roberto.
Mas não são apenas as crianças que aumentam as filas das salas de inalação dos
postos de saúde da Capital. De acordo com a técnica de enfermagem, Fernanda Cáceres,
esta semana houve um aumento no número de pessoas entre 20 e 40 anos.
A auxiliar de limpeza, Joseane da Silva, de 33 anos, é uma delas.Mesmo
sem nunca ter apresentado doenças respiratórias, procurou atendimento médico
nesta terça-feira: “Nunca precisei fazer inalação na minha vida, nunca tive
doenças desse tipo, mas hoje acordei sem ar, e agora estou aqui respirando essa
fumacinha”,
relata Joseane, segurando no rosto, a máscara de inalação.
Orientações
Segundo a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) de Mato Grosso do Sul,
entre 20 % e 30% de umidade relativa do ar é considero estado de atenção, de
12% a 20%,estado de alerta, e inferior a 12% é alerta máximo. A umidade ideal é
acima dos 50%.
O órgão desaconselha atividades ao ar livre e exposição ao sol entre as 10 e 17
horas, especialmente entre as 10 e 16 horas, período do dia em que a umidade do
ar fica mais baixa. Orienta-se também para a ingestão de bastante líquido para
não haver problemas de desidratação.
Para pessoas
com doenças alérgicas, o Ministério da Saúde alerta para não terem em
casa tapetes ou cortinas, e se tiver persianas, precisam ser mantidas sempre
limpas. Além disso, elas devem ficar distantes de bichinhos de pelúcia e, ao
limparem a casa, não devem varrer, mas sim utilizar o aspirador ou pano úmido.
Também se deve evitar o cigarro, privilegiar ambientes e é claro, tomar muita
água.