O
Banco Central elevou a taxa básica de juros em 0,25 ponto nesta quarta-feira para
12,5 por cento ao ano, como esperado, mas deixou em aberto suas opções para a reunião do
próximo mês.
Em
comunicado bem mais sucinto que os divulgados nas reuniões recentes, o Comitê de Política
Monetária (Copom) se limitou a afirmar que sua decisão,
unânime, foi tomada "avaliando o cenário prospectivo e o
balanço de riscos
para a inflação".
Saiu
do texto a menção a um ajuste por "período suficientemente
prolongado" adotada nos dois últimos comunicados.
Alguns
analistas interpretaram a mudança como um indicativo de que o
atual ciclo
de aperto pode ter se encerrado, ou sido interrompido.
"O
BC abriu a porta para parar de subir os juros", afirmou o
estrategista-chefe do WestLB, Roberto Padovani. "Agora, eles estão
dizendo, faz sentido aumentar os juros, mas não sabemos amanhã".
Com
a decisão desta
quarta-feira, o BC já elevou a Selic em 1,75 ponto desde janeiro,
em um esforço para conter a inflação em meio a uma economia aquecida.
O
aperto de 0,25
por cento desta
reunião já era dado como certo, segundo sondagem da Reuters.
A
insistência na referência à adoção de um ajuste "prolongado", e o fato de o BC ter
elevado suas projeções para a inflação no mês passado, vinham fazendo parte do
mercado esperar um novo aperto em
agosto. O comunicado desta quarta-feira, contudo, não referendou
essa avaliação, e novos indicativos serão buscados na ata divulgada na próxima
semana.
"O
comunicado foi lacônico e cria uma dificuldade de depreender o que vai acontecer na próxima
reunião", afirmou Cristiano Souza, economista do Santander Brasil.
"Tirando a expressão “suficientemente prolongado” abre possibilidade de parar por
aí, mas não é certeza. Continuamos achando que Selic vai a 13 por cento até dezembro".
Dados
divulgados nesta quarta-feira mostraram que o índice de inflação
ao consumidor IPCA-15 desacelerou em julho mais do que o esperado,
mas no acumulado em 12 meses a inflação segue acima do teto da meta de 6,5 por
cento.
As
expectativas do mercado para a inflação em 2012 estão em cerca de 5,20 por
cento, bem acima do centro da meta, de 4,5 por cento.
Enquanto
isso, a atividade doméstica segue robusta, com a taxa de desemprego
em recorde de baixa e a
capacidade instalada ainda em
patamar que o BC disse considerar elevado.
Já
no exterior, o cenário é de incerteza, em meio à crise na Europa
relacionada
à dívida grega e o impasse sobre a elevação do teto
do endividamento
dos Estados Unidos.
Com
a alta desta
quarta-feira, a Selic manteve-se no maior patamar desde janeiro de 2009,
quando a taxa estava em 12,75 por cento. O Copom voltará a se reunir em 30 e 31 de agosto.