A
greve dos técnicos administrativos das universidades federais já dura 45 dias.
Até agora, não houve reunião alguma para discutir as reivindicações dos
servidores.
Segundo o governo, só haverá negociação se o movimento for
suspenso. Sem perspectiva de diálogo, a categoria promete reforçar a
paralisação, o que pode atrasar o início das aulas no segundo semestre,
comprometendo o calendário universitário.
O
movimento tem a adesão de servidores de 39 das 59 universidades federais. De
acordo com o Ministério do Planejamento, o impasse foi criado pela Federação
dos Sindicatos dos Trabalhadores das Universidades Brasileiras (Fasubra), que
decidiu deflagrar a greve durante a negociação. Entre as reivindicações da
categoria, está o reajuste do piso salarial em pelo menos três salários
mínimos. Segundo a entidade, o vencimento desses servidores hoje é R$ 1.034.
Apesar
de não terem ligação direta com o trabalho desenvolvido em sala de aula, os
servidores são responsáveis por atividades administrativas importantes, como o
processamento da matrículas. De acordo com o coordenador-geral da Fasubra,
Paulo Henrique Silva, o movimento grevista agora tentará prejudicar esse
processo.
“Esse
é um ponto, dentro das universidades, que nos favorece. É um processo
necessário de resistência para que a gente possa ter uma resposta”, disse
Silva. Segundo ele, o comando de greve também vai intensificar a paralisação de
serviços prestados pela categoria nos hospitais universitários.
A
Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior
(Andifes) espera que o problema seja resolvido durante o período de férias e
não comprometa o próximo semestre letivo. “Quando há conflito de interesses, só
a conversa resolve”, disse o secretário-executivo da associação, Gustavo Balduíno.
Os reitores, informou, participaram do processo de interlocução entre os
servidores e o governo. Até o momento, acrescentou, os prejuízos causados pela
paralisação foram superados.
“Apostamos
na responsabilidade do movimento sindical”, destacou Balduíno. “A categoria
[dos técnicos] não causará prejuízos aos alunos e professores. A universidade
oferece um conjunto de serviços de extrema importância que precisa funcionar em
benefício da sociedade - e não em benefício do reitor ou do governo.”