Gerações “Baby Boomer”, X, Y, Z, XYZ...
Seguindo essa classificação, sou um
“baby boomer”. No entanto, creio que assimilei o “alfabeto” inteiro, pois
cresci acostumado a estudar ouvindo rádio e vendo TV ao mesmo tempo. Também
prefiro “fuçar”, usando manuais só para tirar dúvidas; e focar na objetividade
dos recursos, extraindo o máximo do mínimo.
Esse histórico de vida me deu certo
“jogo de cintura” para resolver situações, embora por vezes implique sobrecarga
e risco profissional. Dependendo do “cliente”, esse perfil “facilitador” é
entendido como: “Lança o desafio, que ele dá um jeito!”, sem prover condições
adequadas de trabalho, só cobrando resultados.
Voltando à questão das gerações, não
sou “nativo digital”, mas, totalmente midiático desde a infância, mergulhar de
cabeça no universo virtual foi um processo natural. Hoje, como qualquer “filho
adotivo” digital, até os computadores de última geração – se bem que sempre
aparece uma nova – parecem desesperadoramente “lentiuns”. Aliás, a ansiedade
virou uma característica – ou anomalia - universal, junto com o estresse!
Isso potencializa alienação. Assim, por
mais que tentem se diferenciar externamente, sem notar, as pessoas estão cada
vez mais parecidas e influenciáveis, principalmente pela incapacidade de entender
ou se posicionar nesse arcabouço contemporâneo. “Plugados” em tempo integral,
recebendo e enviando informações, sem necessariamente processá-las; atuando em
várias atividades simultâneas; navegando em redes sociais; levando o celular
até para o chuveiro; fazendo reserva ou acampando na porta de lojas para ser o
primeiro a ter o mais novo e “indispensável” lançamento de sei lá o quê, só
para dizer quase que infantilmente: “Eu tenho, você não tem!”, muitos pensam
estar na vanguarda, quando estão apenas sendo conduzidos docilmente pelos
interesses volúveis e solúveis do mercado.
Eu adoro tecnologia e, dentre minhas
múltiplas “fomes” e “sedes”, sou ávido por informação. Sou um entre milhões!
Temo, no entanto, que o brilho
excessivo da tecnologia esteja criando um universo paralelo, bem ao estilo
“Matrix”: uma sociedade virtual que se esconde, mas, paradoxalmente, se revela
em redes sociais; que é capaz de passar horas “conectada” com quem mora no
andar de cima. Uma sociedade que, de tanto viver de aparências, num mundo cada
vez mais monitorado por câmeras e influenciado por mídias, tende a pontualmente
explodir em atos terroristas, fanatismos e taras.
Nesse sentido, a sociedade atual talvez
deva ser conhecida como geração @, símbolo tão antigo quanto contemporâneo, que
exprime tecnologia, mas não nega suas raízes comerciais. Ele lembra um anel, um
laço, um chicote, uma espiral, um redemoinho, um funil, enfim, imagens que
podem ser associadas à limitação hipnótica, mas que tem uma labiríntica saída.
Qual seria ela?
Basta lembrarmos que as tecnologias são
ferramentas à nossa disposição, e não o avesso!
Adilson Luiz Gonçalves
Mestre em Educação
Escritor, Engenheiro, Professor Universitário e
Compositor
Ouça textos do autor em: www.carosouvintes.org.br
(Comportamento/Rádio Ativa)