A
assessoria do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit)
confirmou nesta segunda-feira (25) que o diretor-geral do órgão, Luiz Antônio
Pagot, pediu demissão do cargo.
Segundo
a assessoria, Pagot foi ao Dnit na manhã desta segunda, reuniu funcionários que
trabalharam com ele, agradeceu pela dedicação e anunciou que havia pedido
demissão.
A
saída de Pagot foi confirmada em nota pela assessoria do ministro dos
Transportes, Paulo Sérgio Passos.
"O
Ministro de Estado dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, recebeu na manhã de
hoje o pedido de cancelamento das férias do diretor-geral do Departamento
Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luiz Antônio Pagot,
programadas para o período de 25 de julho a 04 de agosto. No mesmo documento, o
diretor comunicou que já solicitou à Presidenta da República sua exoneração do
cargo de Diretor-Geral do Dnit", registra a nota do ministério.
O
G1 entrou em contato por telefone com Pagot e ainda aguarda retorno das
ligações.
Mais
cedo, o senador Blairo Maggi (PR-MT) já havia confirmado que o diretor do Dnit
deveria pedir demissão do cargo.
Blairo
é padrinho político de Pagot e conversou com o diretor na última sexta-feira
(22). Segundo o senador, o diretor do Dnit está “tranquilo” e deve entregar a
carta de demissão ainda nesta segunda.
“Conversei
com ele na sexta. Ele está tranquilo e me disse que vai fazer o pedido de
exoneração dele e entregar ainda esta segunda. Ele vai tocar a vida dele”,
disse Blairo.
Pagot
está de férias desde 4 de julho e vai deixar o cargo quase um mês após o
surgimento de denúncias de superfaturamento no Ministério dos Transportes. Ele
será o 17º integrante dos quadros dos Transportes a deixar o governo desde o
começo da crise.
Os
cortes atingiram principalmente servidores que atuavam nas áreas de operações,
administração e análise técnica e pessoas ligadas ao PR, partido do ex-ministro
Alfredo Nascimento.
A
reportagem de "Veja" relatou que representantes do PR, partido ao
qual pertencem o ex-ministro Alfredo Nascimento e a maior parte da cúpula do
ministério, funcionários da pasta e de órgãos vinculados teriam montado um
esquema de superfaturamento de obras e recebimento de propina por meio de
empreiteiras.
No
dia 6 de julho, então ministro dos Transportes, Nascimento pediu demissão
pressionado por suspeitas de que seu filho tenha enriquecido ilicitamente em
razão do cargo de ministro. Ao assumir o posto, no dia 12 de julho, o novo
ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos afirmou que faria “ajustes” que
envolveriam troca de pessoas e modificações em processos da pasta.
Principal
foco das irregularidades, o Dnit sofreu seis cortes, a maioria deles em cargos
de direção e coordenação. O diretor-executivo do órgão, José Henrique Sadok de
Sá, que estava interinamente na direção-geral no lugar de Pagot, foi afastado
da função.
Diante
das demissões de pessoas ligadas ao PR, o líder do partido na Câmara, Lincoln
Portela (MG), disse que está negociando a elaboração de uma nota oficial que
irá verbalizar o posicionamento do partido. Para Portela, o PR não pode ser
“satanizado”: “Não estou mandando indireta para ninguém. Estou mandando direta
mesmo. Em momento algum o PR criticou as saídas. Agora, essa integridade tem de
ser adotada com todos. Satanizar o PR está desagradando."
Pagot
já admitia saída
No
dia 19 de julho, o diretor do Dnit disse ao G1 enxergar a “possibilidade” de
deixar o órgão. Pagot disse, no entanto, que aguardava “instruções do
Planalto”.
“Estou
aguardando instruções do Planalto. A possibilidade que mais me parece é de ser
afastado, mas até agora ninguém falou comigo”, disse Pagot que, pela primeira
vez, admitiu que pode deixar a função.
Em
depoimento no Congresso dias antes, Pagot afirmou que estava de férias e que
pretendia continuar no cargo. “Pretendo continuar no Dnit porque comecei a
produzir uma reestruturação no Dnit”, disse Pagot na ocasião.