O
dólar comercial operou em alta durante todo o dia. No encerramento dos
negócios, a moeda norte-americana foi vendida a R$ 1,5580, em alta de 1,50%. Os
investidores ainda analisam os efeitos das medidas cambiais anunciadas pelo
governo nessa quarta-feira, 27.
A
medida provisória (MP) publicada hoje no Diário Oficial da União, o governo
autoriza o Conselho Monetário Nacional (CMN) a definir regras específicas para
as negociações no mercado de derivativos e a tributar com o Imposto sobre
Operações Financeiras (IOF) de até 25% sobre o valor dessas operações. Agora,
no entanto, essa tributação começa com alíquota de 1% de IOF sobre a diferença
entre a posição vendida e a posição comprada das empresas superiores a US$ 10
milhões.
O
ministro da Fazenda, Guido Mantega, informou ainda que o governo brasileiro
também está fechando uma brecha do mercado, que estava liquidando, antes do
prazo, as operações de crédito tomadas no exterior, com prazo acima de 720
dias, para fugir do pagamento de IOF. A partir de agora, as liquidações
antecipadas também pagarão 6% do imposto, além de multa.
Reações.
Entre as casas que atuam no mercado, as reações são distintas. "É uma
medida sem noção, pois vai destruir o mercado de hedge (segurança) do
País", disse o chefe de pesquisas para mercados emergentes da Nomura
Securities, em Nova York,
Tony Volpon.
Já
o estrategista sênior de moedas do JP Morgan em Nova York, Kenneth
Landon, afirmou que as medidas cambiais devem interromper no curto prazo a
tendência de valorização do real ante o dólar, que poderia ficar abaixo de R$
1,50 nos próximos dias. "Mas no longo prazo o real deve continuar forte
ante o dólar por dois motivos: um deles é que os juros no Brasil são elevados e
o outro é que o dólar passa por movimento de enfraquecimento global que não
deve ser resolvido logo", destacou.
O
diretor de câmbio da Fair Corretora, Caio Lucchese, avalia que é difícil
dimensionar qual será a “potência” da medida. "Se os bancos vão reduzir
essas operações, é claro que o ingresso de dólares no País será menor",
afirma o executivo da Fair Corretora. Ele acrescenta, no entanto, que, pelo
menos por enquanto, não há motivos para os exportadores "estourarem
champanhe" porque a taxa de câmbio não deve subir.
Ele
discorda que as medidas possam "destruir" o mercado de hedge,
conforme avaliam alguns analistas. "O mercado de hedge é uma necessidade.
Falar de derivativos como especulação é uma coisa, mas o hedge tem de existir
sempre", afirma o analista, para quem não há como alguém fazer uma
operação de longo prazo sem buscar proteção no mercado. Ele ressalta que o
mercado de hedge é útil tanto para operações com moedas como para as operações
com commodities.