O
Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) julgou, em sessão especial
realizada nesta quinta-feira, as contas dos quatro governadores que o DF teve
ao longo do ano passado: José Roberto Arruda (sem partido), Paulo Octávio (sem
partido), Wilson Lima (PR) e Rogério Rosso (PMDB). Em 2010, com as denúncias da
existência de um suposto esquema de propina no alto escalão do governo da
capital federal, o DF passou por um período de ameaça de intervenção federal.
O
procurador-geral do Ministério Público (MP) junto ao TCDF, Demóstenes
Albuquerque, recomendou a rejeição das contas de Arruda em 2010 e a aprovação
das demais com ressalvas. Segundo o representante do MP na sessão, Arruda tinha
obrigação de agir de forma a corrigir as irregularidades constatadas a partir
da deflagração da operação Caixa de Pandora, em novembro de 2009. Demóstenes
Albuquerque lembrou que as irregularidades encontradas em contratos entre
empresas e o governo do DF vinham de anos anteriores. Arruda assumiu o cargo em
janeiro de 2007.
"Em
janeiro e fevereiro ainda estava à frente do governo José Roberto Arruda.
Durante esse exercício, o TCDF aponta a continuidade de pagamentos indevidos
que geraram prejuízos aos cofres do DF. Essa situação ganha maior gravidade
porque as irregularidades vinham ocorrendo ao longo dos anos anteriores",
disse. "No entender do Ministério Público, era exigível que titular do
governo atuasse de forma eficaz quando apareceram indícios fortes de problemas
com contratos em toda administração pública. Arruda deveria ter agido, e não
agiu."
O
representante do MP entendeu que o vice-governador Paulo Octávio, que assumiu
interinamente após a prisão de Arruda, teve pouco tempo hábil para sanar os
problemas encontrados nos contratos e, por isso, recomendou a aprovação com
ressalvas das contas do empresário. O mesmo foi sugerido para as contas do
ex-presidente da Câmara Legislativa, Wilson Lima, e para o governador eleito
indiretamente, Rogério Rosso. Demóstenes Albuquerque levou em consideração a
situação "peculiar" que o DF sofreu ao longo de 2010.
O
ministro relator do caso, Antônio Renato Alves Rainha, questionou, em seu
parecer, a regularidade das contratações emergenciais efetuadas pelo governo do
DF - que dispensam licitação. Em algumas situações, segundo Rainha, o tempo dos
contratos ultrapassou o período caracterizado como emergência. O ministro
considerou, ainda, que após as contratações emergenciais, o governo não tomava
providências para realizar licitação. Em outros casos, os preços dos contratos
feitos por licitação, após as contratações emergenciais, eram superiores aos de
mercado.
Somente
durante o período em que
Arruda governou no ano de 2010, entre janeiro e fevereiro, o
TCDF encontrou irregularidades graves, como a recorrente celebração de
contratos emergenciais, prática de sobrepreço e superfaturamento, contratação
de produtos e serviços em excesso, pagamento por produtos e serviços não
entregues ou não prestados e falha na fiscalização de contratos.
Relembre o caso
O ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (ex-DEM, atualmente
sem partido), foi preso preventivamente a pedido do Superior Tribunal de
Justiça (STJ) em 11 de fevereiro do ano passado, após aparecer em vídeos
gravados pelo ex-secretário de Relações Institucionais do DF Durval Barbosa
recebendo maços de dinheiro, que seriam propina. Durval foi o delator de um
esquema de pagamento de propina que ficou conhecido como mensalão do DEM.
A
prisão também foi decretada após tentativa de suborno ao jornalista Edson
Santos, o Sombra. O jornalista é testemunha do suposto esquema de corrupção no
governo do Distrito Federal, que ficou conhecido como mensalão do DEM. Arruda é
apontado como suposto chefe do esquema. O suborno serviria para que Sombra
dissesse à Polícia Federal que os vídeos eram falsos, mudando seu depoimento
dado anteriormente à PF.
Em
depoimento, Sombra disse que Arruda, através de um intermediário, teria
proposto R$ 1 milhão e verbas para o jornal do qual é dono, em troca de apoio
para prejudicar a Operação Caixa de Pandora, que investigou o mensalão do DEM.
Após
a prisão de Arruda, o vice-governador do DF à época, o empresário Paulo
Octávio, assumiu interinamente o comando da capital, cargo que ocupou por
apenas 12 dias. Após esse período, Paulo Octávio renunciou ao posto, alegando
"falta de apoio político". A renúncia foi feita no mesmo dia em que o
empresário pediu desfiliação do DEM.
Com
a renúncia de Paulo Octávio, assumiu o governo do DF o então presidente da
Câmara Legislativa, Wilson Lima (PR), próximo na linha sucessória. Lima ficou
no cargo entre fevereiro e abril, quando foram realizadas eleições indiretas
para um mandato tampão. O peemedebista Rogério Rosso venceu Lima no pleito e
ficou no cargo até o fim de 2010.