Cerca de 400
milhões de pessoas
no mundo são portadoras do vírus da hepatite B e aproximadamente 200 milhões
estão infectadas pelo vírus do tipo C da doença.
No
Brasil, estima-se que de 2
a 3 milhões de habitantes possuem o vírus da hepatite C,
sendo que menos de 5% destes sabem que são portadores e somente 10
mil, em média, são tratados por ano.
Essa
situação, segundo a coordenadora do programa de Doenças
Sexualmente Transmissíveis e Aids da Secretaria de Estado de Saúde (SES),
Clarice de Souza
Pinto, provoca um dos maiores problemas no enfrentamento à
doença: o diagnóstico tardio.
Reverter
esse quadro e identificar precocemente a enfermidade é uma das bandeiras do
Dia Mundial da Luta Contra Hepatites Virais, comemorado hoje.
Segundo
a SES, entre janeiro e junho deste ano, 85 pessoas foram diagnosticadas com o
tipo B da doença em Mato
Grosso do Sul - 74 delas em Campo Grande. No
mesmo período do ano passado, foram registrados 37 casos na Capital - aumento de 100%.
Clarice
explica que a maior incidência de hepatite B é entre os jovens, que são
justamente a parte da população que menos toma medidas de prevenção
contra as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs). A principal via de transmissão
do vírus da hepatite B é a relação sexual.
Clarice
informa que houve crescimento recente de registros da hepatite tipo B entre os
adolescentes, que muitas vezes tomam a primera dose da vacina, mas não voltam
aos postos de
saúde para completar
as duas outras doses. “Os jovens começam a ter relações cada vez mais cedo e
não se cuidam: não usam preservativo e nem mesmo se vacinam contra doenças como a
hepatite”, explica.
A
coordenadora destaca que
a rede pública de saúde já tem à
disposição a vacina contra a hepatite B para os recém-nascidos - dose que já
faz parte do calendário de vacinação infantil. “Se o tratamento começa
cedo, a criança cresce e já está imunizada contra a doença”.
No
entanto, o serviço é recente e “a maioria dos adolescentes de hoje não
tiveram a chance de ser vacinados quando nasceram, é por isso
que é tão importante que se atentem para isso e comecem
a se prevenir o quanto antes”. Na rede pública, a vacina gratuita é oferecida para
o público de zero
a 29 anos.
Somados
todos os tipos de hepatite, foram registrados 137 casos em Campo Grande
no primeiro semestre deste ano. No mesmo período de 2010,
foram 93 confirmações de hepatite A, B e C - crescimento de 47%.
Durante todo o ano passado, foram 257 pessoas vítimas da doença na Capital. Em todo Mato Grosso
do sul foram 446 casos confirmados, dos tipos B e C.
Transplantes
Os quatro tipos de hepatite - A, B, C e D - desencadeiam um quadro de cirrose,
que pode desenvolver
a falência do fígado. A inutilização do órgão leva à necessidade do
transplante, o que, segundo Clarice de Souza, “é bastante frequente”. “Já
encaminhamos vários pacientes para outros Estados para realizarem transplantes de fígado”.
Ela não soube, no entanto, informar quantas pessoas tiveram de fazer a
cirurgia fora
de Mato Grosso do Sul - a Santa Casa não faz mais esse procedimento.
Os
principais sintomas da doença, quando aparecem, são o amarelamento da pele,
icterícia, fezes esbranquiçadas e urina escura. Clarice afirma, no entanto, que
esses sintomas aprecem em apenas 30% dos casos. “Os exames para identificação
do vírus da hepatite deveria fazer parte do calendário de qualquer
pessoa, tem que fazer parte do check-up geral”, analisa.