O BEA (Escritório de Investigações e Análise),
órgão oficial francês encarregado de investigar o acidente do voo Rio-Paris em
2009, considerou em seu relatório divulgado nesta sexta-feira (29) que uma
série de erros dos pilotos provocou a queda da aeronave.
O avião da Air France que fazia o voo do Rio de
Janeiro para Paris caiu no oceano Atlântico em junho de 2009, matando as 228
pessoas a bordo. Segundo o documento, os pilotos não adotaram o procedimento
adequado após os primeiros problemas detectados durante o voo: perda de
indicadores de velocidade - falha para a qual eles não foram treinados para
lidar - e perda de sustentação da aeronave.
No
relatório, os investigadores do BEA pediram um treinamento melhor para os
pilotos. O documento detalha que eles não discutiram os repetidos alarmes sobre
perda de velocidade antes de o Airbus que pilotavam cair.
Além
disso, a tripulação não fez nenhum anúncio aos passageiros sobre a situação da
aeronave antes do acidente, diz o BEA. Trata-se do terceiro relatório sobre
as investigações técnicas do caso.
As duas caixas-pretas - que registraram os
parâmetros do voo e as conversas na cabine dos pilotos - foram resgatadas do
fundo do mar no início de maio, após passarem 23 meses a 3.900 metros de
profundidade no oceano Atlântico.
O
órgão emitiu dez novas recomendações de segurança, incluindo mais treinamento
sobre como pilotar aeronaves manualmente em grandes altitudes.
Em
um comunicado, a Air France disse que os alarmes que apontariam a perda de
potência do avião não estavam em perfeito funcionamento. Segundo a empresa, as
ativações e interrupções dos alarmes, fora de sincronia com as condições do avião, “contribuíram fortemente para a
dificuldade da tripulação em avaliar a situação”.