Durante as atividades da Semana Mundial da Amamentação
(SMAM) deste ano, que será realizada de hoje (1º) a 7 de agosto, o Ministério
da Saúde e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) vão defender o apoio de
todos para garantir às mães condições de amamentar seus filhos até os dois anos
de idade, seguindo recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS).
Apesar do tempo médio do período de aleitamento materno no
País ter aumentado um mês e meio, de 1999 a 2008, o Brasil ainda está em um patamar
baixo. A OMS considera como ideal que 90% a 100% das crianças menores de seis
meses tenham no aleitamento materno um alimento exclusivo. No Brasil, esse
índice é de 41%.
Na campanha deste ano, o ministério e a SBP querem
conscientizar a sociedade de que, apesar do aleitamento materno ser um ato
natural, precisa de apoio de todos, da família, dos profissionais de saúde, empregadores,
e, especialmente da mídia e dos formadores de opinião. A atriz Juliana Paes,
que está amamentando seu filho Pedro, será a madrinha da SMAM.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, irá participar da
abertura da SMAM e do lançamento da campanha nesta segunda-feira (1º) no Rio de
Janeiro. Durante o evento, será lançado o Guia dos Direitos da Gestante, uma
publicação conjunta entre o Ministério da Saúde e a Unicef (Programa das Nações
Unidas para a Infância). O guia será uma espécie de instrumento para a
capacitação de agentes multiplicadores, que terão como função transmitir
informações às comunidades sobre os direitos das mães à amamentação.
“É de fundamental importância que todos os segmentos da
sociedade, mídia, formadores de opinião, familiares e empregadores, ajudem às
mães na superação dos obstáculos que, muitas vezes, as impedem de continuar
amamentando seus filhos”, observa Padilha. O ministro chama a atenção para o
fato de que o aleitamento materno, por estar diretamente relacionado à redução
da mortalidade infantil e neonatal, contribui, de forma significativa, para
cumprimento das metas assumidas pelo Brasil com a OMS.
Uma dessas metas é a de reduzir em dois terços a
mortalidade em menores de cinco anos entre 1990 e 2015. “O Brasil está em
condições de atingir esta meta já em 2012, ou seja, três anos antes do prazo
fixado pela OMS”, ressaltou Padilha. Também está entre os compromissos do
Brasil o Pacto pela Redução da Mortalidade Infantil no Nordeste e Amazônia
Legal e Pacto pela Redução da Mortalidade Materna e Neonatal.
A SMAM foi idealizada pela Aliança Mundial para Ação em Aleitamento Materno
(Waba) e tem sido comemorada em 150 países com o propósito de promover,
proteger e apoiar o aleitamento materno. A comemoração da SMAM tem se mostrado
um método efetivo de mobilização de todos os segmentos da sociedade em defesa
da amamentação.
Benefícios
O aleitamento materno é a mais antiga estratégia natural
de vínculo, proteção e nutrição para a criança. Constitui a mais econômica e
eficaz intervenção para redução da morbimortalidade infantil. O leite materno
tem tudo o que o bebê precisa até os seis meses, inclusive água, e é de mais
fácil digestão. Funciona como uma vacina, protegendo a criança de doenças como
diarreia, infecções respiratórias e alergias.
Para as mães, o ato de amamentar ajuda na perda peso mais
rapidamente após o parto e ajuda o útero a recuperar seu tamanho normal,
diminuindo o risco de hemorragia e de anemia. Também reduz o risco de diabetes,
de câncer de mama e de ovário.
Ações
Para incentivar o aleitamento materno, o Ministério da
Saúde possui a Rede Amamenta Brasil, que está presente em mais de mil Unidades
Básicas de Saúde do País. Existe também a Iniciativa Hospital Amigo da Criança,
em parceria com a Unicef, que hoje já conta com 337 hospitais credenciados em
todos os estados brasileiros e o Método Canguru, que promove o contato pele a
pele entre mãe e bebê.
Também faz parte das ações de incentivo, o programa de
Apoio à Mulher Trabalhadora que Amamenta. Nesta ação, o Ministério da Saúde
capacita profissionais para sensibilizar gestores e empregadores a adotarem uma
série de medidas de apoio à amamentação da mulher trabalhadora. Entre as
medidas, destacam-se a adesão à licença maternidade de seis meses, a implementação
de salas de apoio à amamentação nas empresas, o respeito às leis que protegem
este ato, entre outras.
No dia 28 de março deste ano, o governo federal reforçou
as estratégias de fortalecimento da atenção integral à saúde da mulher e do
recém-nascido com o lançamento da Rede Cegonha. A Rede tem entre suas
principais ações a promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno.