A
Secretaria da Receita Federal prepara uma ofensiva na fiscalização de pequenas
e médias empresas por meio do cruzamento de todos os dados declarados pelas
companhias, transformando o processo de fiscalização em um verdadeiro "big
brother tributário".
Segundo
o subsecretário de Fiscalização da Receita Federal, Caio Marcos Cândido, um
novo sistema de malha fina para as pequenas e médias empresas deverá estar
funcionando a pleno vapor em 2013, cruzando os dados de todas as declarações
prestadas, além de informações obtidas por meio da nota fiscal eletrônica e da
escrituração digital.
"Nossa
ideia é implementar a primeira fase no ano que vem. Vamos organizar o sistema,
começar a colocar lá as informações. Mas os cruzamentos de dados devem começar
somente em 2013", disse Caio Marcos ao G1. Para as grandes empresas do
país, que já têm um acompanhamento especial por parte do Fisco, não haverá
grandes mudanças.
Quando
esse cruzamento de dados começar a acontecer, o Fisco pretende disponibilizar
um serviço de autorregularização para as empresas, semelhante ao que já é
liberado para as pessoas físicas. Por meio desta autorregularização, as
empresas poderão quitar seus débitos com o Fisco, antes de a multa de ofício
ser lançada, pela internet.
De
acordo com o coordenador geral de fiscalização da Receita, Antônio Zomer, o
projeto é ousado. A meta é, pelo menos, multiplicar por sete a fiscalização das
pessoas jurídicas efetuada por meio de sistemas, as chamadas malhas fiscais,
que operam sem a intervenção humana.
Atualmente,
a revisão das declarações das pessoas jurídicas somam cerca de 3,5 mil por ano,
segundo informações da Receita Federal. A meta é chegar, com o novo sistema, a
uma fiscalização de 25 a
30 mil empresas anualmente. A fiscalização, segundo ele, também englobará os
valores pagos ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Para
Welinton Mota, diretor tributário da Confirp Contabilidade, tudo caminha para
que o pagamento de tributos pelas empresas no Brasil se transforme em um
"big brother tributário". "A tendência é que as médias empresas
sejam fiscalizadas mais de perto por este software inteligente, esse big
brother tributário. Chega uma hora que não tem escapatória. A Receita vai ter
as informações nas mãos", disse ele.
Mota
lembrou que o Fisco já vem investindo em tecnologia de fiscalização nos últimos
anos, por meio da nota fiscal eletrônica e da escrituração digital, e avaliou
que é uma questão de tempo até o órgão organizar um programa que cruze todas
estas informações das empresas de forma mais ágil.
"As
informações já estão dentro dos computadores do Fisco. Das compras, talvez 90%,
também é por nota fiscal eletrônica. Tudo que está comprando ou vendendo, eles
sabem item por item. As vezes, têm vendas canceladas, devoluções, e tem de
informar nos livros digitais. Daqui a pouco, não tem informação nenhuma que a
gente vai esconder do Fisco", concluiu Mota, da Confirp Contabilidade.