O
ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou nesta terça-feira (9) um acordo
com a Frente Parlamentar Mista das Micro e Pequenas Empresas para corrigir os
limites de enquadramento das empresas no Simples Nacional, sistema que permite
o pagamento de um único tributo.
Com
isso, a presidente Dilma Rousseff está dando um passo para cumprir uma promessa
de campanha. As mudanças ainda precisam ser votadas no Congresso Nacional para
terem validade. A expectativa do presidente da frente parlamentar mista das
micro e pequenas empresas, deputado Pepe Vargas (PT-RS), é de que a correção
dos limites seja aprovado pelo Congresso Nacional até setembro deste ano.
Segundo
o ministro Guido Mantega, o limite de enquadramento dos microempreendedores
individuais, por exemplo, passará dos atuais R$ 36 mil por ano para até R$ 60
mil de receita bruta anual. O limite máximo para as micro empresas, por sua
vez, passará de até R$ 240 mil para até R$ 360 mil, enquanto que o limite
máximo para pequenas empresas subirá dos atuais R$ 2,4 millhões para até R$ 3,6
milhões por ano, um crescimento de 50%.
Com
a correção do teto de faturamento das empresas dentro do Simples Nacional, elas
poderão faturar mais e continuar dentro do programa simplificado de pagamento
de tributos. Isso também permitirá que mais empresas, que estão um pouco acima
do limite anual de faturamento, ingressem no Simples.
Tributação, parcelamento e exportações
Além da correção dos limites, Mantega informou que o governo também concordou
em reduzir a alíquota cobrada das micro e pequenas empresas, reduzindo assim a
tributação. Outra novidade é a exclusão das exportações dos limites das micro e
pequenas empresas, medida já anunciada em maio do ano passado, no pacote de
estímulo às exportações, mas confirmada somente hoje.
O
governo também confirmou que está atendendo a um antigo pedido das empresas ao
permitir, segundo anúncio feito hoje, que elas possam parcelar suas dívidas
tributárias em até 60 meses na Secretaria da Receita Federal - o que era vetado
até então.
Mudanças têm impacto de R$ 4,8 bilhões por ano
De acordo com Mantega, todas estas alterações no Simples Nacional gerarão uma
renúncia fiscal, ou seja, recursos que o governo deixará de arrecadar, de R$
4,8 bilhões por ano.
"A
importância da pequena empresa é inegável. Ela constitui a base da estrutura
positiva brasileira. Queremos que amplie seu papel na produção brasileira.
Também responda por uma parcela maior da exportação. As mudanças estão
habilitando o pequeno empreendedor a fazer mais exportações. Estaremos dando
oportunidades para que mais empregos sejam gerados, para que a formalização
avance ainda mais", disse Mantega.
Problemas econômicos mundiais
Segundo ele, o mundo vive "fortes problemas econômicos" desde 2008,
com o anúncio de concordata do Lehman Brothers, que deu início à fase mais aguda
da crise financeira. Mais recentemente, a crise voltou ganhar força com o
rebaixamento da nota da dívida dos Estados Unidos pela agência de classificação
de risco Standard & Poors.
"Em
alguns momentos, [os problemas] se agravam, como estes que estão acontecendo
hoje no mundo todo. Em função disso, governo tem procurado fortalecer vários
setores da economia brasileira", disse Mantega. Ele lembrou que, na semana
passada, foi lançado pelo governo um pacote de estímulo à competitividade da
indústria nacional, com linhas de crédito, reduções tributárias, e desoneração
da folha de pagamentos de alguns.
"Hoje,
vamos lançar a ampliação de um programa que já existe no país. Ele está sendo
ampliado de modo a fortalecer a micro e pequena empresa brasileira. Essa
ampliação vai no sentido de abranger um número maior de empresas, que estarão
abrigadas no regime tributário mais moderno que temos no país", concluiu o
ministro.