As
unidades de produção de carvão de Mato Grosso do Sul iniciam em, no máximo 90
dias, recrutamento de cinco mil funcionários para contratação imediata como
forma de não comprometer a indústria siderúrgica.
O mercado da construção,
aquecido por causa das obras da Copa de 2014, está obrigando as siderúrgicas a
dobrarem a produção de aço, aumentando assim a demanda pelo carvão vegetal,
insumo do ferro.
Há
em Mato Grosso
do Sul cerca de 100 unidades carvoeiras legalizadas, com 12 mil trabalhadores.
A maior concentração delas é nos municípios de Aquiadauana e Ribas do Rio
Pardo.
Em
2008 o setor sofreu um grande revés, decorrente a crise imobiliária que tomou
conta dos EUA, que diminui suas construções e o uso de ferro e aço, por sua vez
afetando o Brasil, reduzindo em 70% sua produção.
Foi
preciso demitir funcionários e o setor carvoeiro sofreu um grande déficit, os
trabalhadores tiveram que migrar para outros setores, como (plantios de
eucaliptos), usinas sucroalcoleiras (plantios e colheitas de cana manual), obras
do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e construção civil.
De
acordo com o presidente do Sindicarv (Sindicato das Indústrias e dos Produtores
de Carvão Vegetal de Mato Grosso do Sul), Marcos Brito, a crise em 2008 gerou
um apagão de mão de obra no Estado, mas agora, o Sindicato, juntamente com o
Ministério do Trabalho e Fiems (Federação das Indústrias de Mato Grosso do
Sul), estão em busca de uma forma de atrair esses trabalhadores.
Para
falar sobre o setor em MS, o presidente do Sindicato deu exemplos do setor de
cana de açúcar no estado de São Paulo, que está em transição de mecanização de
seus equipamentos, ou seja, substituindo seus funcionários por máquinas. A
mudança resulta em cerca de 30 mil funcionários desempregados.
Outro
exemplo usado é do Maranhão, prossegue Brito, que também terá que diminuir seu
efetivo por conta da baixa do dólar. Já Mato Grosso do Sul não exporta seu
material produzido, utilizado apenas para consumo interno e para o estado de
Minas Gerais. Passados três anos, com o mercado aquecido novamente, não há mão
de obra suficiente para atender a demanda.
Atualmente
MS produz 130 mil metros de carvão por mês. O recorde foi em 2005, quando
produziam 300 metros/mensais. Apenas quatro de seis fornos estão ativados, por
conta da falta de trabalhadores.
O
piso do salarial de um carvoeiro é de 560 reais e pode chegar a R$ 3 mil,
dependendo da produtividade e função. Como saída, serão promovidos cursos
profissionalizantes para capacitar novos profissionais, que estão migrando para
o setor carvoeiro.
Para
reverter a escassez de mão de obra, uma Unidade de Produção de Carvão - ESCOLA
deve ser criada para desenvolver cursos e treinamentos para preparar e
qualificar novos trabalhadores que, geralmente, vêm de outras atividades
profissionais, para que a mão de obra de carvoeira deixe de ser rústica.