De
acordo com o relatório do Coletivo de Lésbicas, Gays, Transexuais e Bissexuais de Madri
(Cogam), a prostituição masculina triplicou desde 2007, início da crise financeira que atinge
o país.
O
documento
afirma também que há diferenças nos esquemas de trabalho entre homens e mulheres
estrangeiros que exercem a prostituição no país.
Ao
contrário da maioria das mulheres, que muitas vezes são vítimas de quadrilhas de tráfico de pessoas
e chegam ao país enganadas por falsas promessas de trabalho,
em geral, estes homens já têm a intenção de trabalhar no setor e dispensam
intermediários.
Cerca de 85% deles se definem
como heterossexuais.
"Constatamos um aumento
significativo de brasileiros dedicando-se
à prostituição na Espanha", disse um porta-voz da polícia espanhola.
"Mas
como exercer a prostituição não é delito, não atuamos. A polícia só intervém
quando se trata de uma quadrilha que obrigue as pessoas a se
prostituir contra sua vontade. Temos inúmeros exemplos assim com mulheres
brasileiras, mas com homens só uma vez, por enquanto.", completou.
Em
2010, a
polícia da Espanha capturou uma quadrilha que explorava a prostituição
masculina e mantinha garotos de programa brasileiros em regime de cárcere
privado.
Rotina de trabalho
De acordo
com o Cogam, os locais de trabalho dos homens são divididos por
nacionalidades - africanos (marroquinos, em sua maioria) e europeus
do leste (romenos, russos e búlgaros) oferecem serviços nas ruas e os
brasileiros controlam as saunas.
Nestas
saunas, os homens que se prostituem pagam por dia para dormir em colchonetes ou
mesas de massagens
quando há poucos clientes.
"Cerca de 30% deles é
menor de 20 anos. Isso
nós comprovamos, mas sabemos que a maioria mente sobre idade porque
os clientes querem rapazes cada vez mais jovens", disse à BBC Brasil a
assistente social da Cruz Vermelha, Maria de Mar García, que investiga o setor e
colaborou na elaboração do relatório.
Depressão
O
relatório afirma ainda que é grande o número de casos de depressão e tendência ao suicídio entre os
homens que trabalham nas saunas gays.
De acordo
com especialistas, fatores como a quantidade de horas passadas em espaços sob luz quase
inexistente, calor frequente e conflitos pessoais contribuem para uma
síndrome que eles chamam de "bomba-relógio".
"(Eles)
sentem repugnância pelo contato físico e, para poder
evadir-se e manter a libido em condições de trabalho, apelam para o consumo de drogas.
Quando o efeito passa, se envergonham e se maltratam emocionalmente. Dizem que
suas famílias lhes repudiariam se vissem o que fazem", afirmou à BBC
Brasil o psicólogo Jesus Bardo, um dos autores do documento.