Cerca
de 60 entidades estão empenhadas no preparo de uma Proposta de Lei de
Iniciativa Popular para fazer a reforma política no Brasil. Nesta semana, as
assinaturas começarão a ser coletadas, aproveitando a Marcha das Margaridas que
espera reunir em Brasília, na próxima quarta-feira (17), cerca de 70 mil
mulheres.
Para
ser apresentada à Câmara dos Deputados e tramitar como projeto de lei no
Congresso, mais de 1 milhão de assinaturas são necessárias. A Constituição
Federal exige que a iniciativa popular seja subscrita por, no mínimo, 1% do
eleitorado nacional e que essas assinaturas sejam distribuídas pelo menos por
cinco estados. Além disso, a proposta tem que contar com o apoio de 0,3% dos
eleitores de cada um desses estados.
As
entidades estão reunidas no Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral. A
proposta traz conceitos que vão desde a simplificação do trâmite das
iniciativas populares, até o polêmico financiamento público exclusivo de
campanha, uma forma considerada fundamental pelas entidades para combater a
corrupção, os chamados "caixa 2" e os abusos de poder econômico
durante as eleições.
Outra
novidade proposta na plataforma é a criação do veto popular, que seria usado
quando a população discordar de uma lei aprovada pelo Parlamento. Nesse caso, o
veto popular terá que seguir o mesmo rito da coleta de assinaturas da
iniciativa popular, previsto atualmente pela Constituição Federal, e depois a
proposta terá que ser submetida a um referendo.
A
plataforma também propõe mudanças nos partidos políticos, que devem continuar
como entidades de direito privado, mas de interesse público. Além disso, as
entidades querem o fim das votações secretas no Poder Legislativo, o fim da
imunidade parlamentar para casos que não representam respeito à opinião e ao direito
de fazer denúncias, além do fim do foro privilegiado, exceto nos casos em
que a apuração se refere ao estrito exercício do mandato ou do cargo.
Outro
ponto que deve ser examinado para evitar o troca-troca de legenda por parte dos
políticos é o que trata da fidelidade partidária. A plataforma propõe que “os
cargos eletivos não sejam propriedade particular de cada eleito”. A troca de
partido, sem motivação programática, de acordo com a proposta, deve repercutir
com a “perda automática do mandato”.
Além
disso, a iniciativa quer aumentar o prazo de filiação partidária para quatro
anos, no caso de político que tenha perdido o mandato por infidelidade
partidária. Atualmente, o prazo de um ano antes do pleito serve para todos.
No
caso das eleições proporcionais, a proposta defende o voto em lista partidária
com alternância de sexo como forma de combater o personalismo, fortalecer e
democratizar os partidos. Para as eleições majoritárias, a adoção das listas é
vetada pela proposta. As entidades defendem como forma mais democrática a
manutenção das prévias partidárias.