O
PSOL entrou ontem com uma representação no Comissão de Ética Pública da
Presidência contra o ministro Wagner Rossi (Agricultura) por ter usado um
jatinho de uma empresa de agronegócios.
Para
o partido, as viagens do ministro vão contra ao Código de Ética da
Administração Federal.
O
artigo 7º da norma diz que "a autoridade pública não poderá receber
salário outra remuneração de fonte privada em desacordo com a lei, nem receber
transporte, hospedagem ou quaisquer favores de particulares de forma a permitir
situação que possa gerar dúvida sobre a sua probidade ou honorabilidade."
Ontem,
o presidente da Comissão de Ética Pública, Sepúlveda Pertence, disse que deve
decidir no início de setembro se irá investigar administrativamente as acusações
contra servidores dos ministérios da Agricultura e do Turismo.
Segundo
reportagem publicada ontem pelo "Correio Braziliense", Rossi e um de
seus filhos, o deputado estadual Baleia Rossi (PMDB-SP), viajaram várias vezes
em uma aeronave avaliada em US$ 7 milhões pertencente à Ourofino Agronegócios.
Em
nota, Rossi diz ter usado o jato "em raras ocasiões", como
"carona", e nega ter beneficiado a empresa.
A
Ourofino é de Ribeirão Preto (SP), cidade onde moram o ministro e sua família.
Ela obteve aprovação, liberação e licença para comercialização de vacina contra
febre aftosa em 2010.
Segundo
a reportagem do "Correio", um dos sócios do Grupo Ourofino é Ricardo
Saud, diretor da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo do
Ministério da Agricultura.
A
proximidade entre a família de Rossi e a empresa do agronegócio se repete em
outros campos. Vídeos institucionais da Ourofino são realizados pela empresa A
Ilha Produções, que atualmente está em nome de Paulo Luciano Tenuto Rossi,
filho do ministro, e Vanessa da Cunha Rossi, mulher de Baleia.
O
deputado estadual, por sua vez, foi contemplado com doação de campanha no valor
de R$ 100 mil, transferidos pela Ourofino.
"Ao
longo de quatro anos, os procedimentos técnicos que culminaram na autorização
para fabricação do produto veterinário foram cumpridos rigorosamente. (...)
Empresas nacionais, como a Ourofino e a Inova, conseguiram status oficial para
a produção do medicamenteo veterinário. A decisão, técnica, teve como objetivo,
abrir o mercado", diz Rossi na nota.
Em
resposta ao "Correio Braziliense", o deputado Baleia também
"confirma que já viajou no avião da Ourofino" e que a empresa
"fez doações à sua campanha, devidamente registradas no Tribunal Regional
Eleitoral de São Paulo".
Já
Ricardo Saud afirmou ao jornal que não é mais sócio da subsidiária do grupo,
pois o negócio não se viabilizou.
A
Ourofino diz que o assessor especial do ministro não continuou na ficha
societária da firma, pois sua participação "não foi finalizada por falta
de recursos por parte do senhor Ricardo".