O pagamento de tributos em atraso, em
junho e julho, fez a Receita Federal elevar a projeção de crescimento real da
arrecadação em 2011. Segundo a secretária adjunta do órgão, Zayda Manatta, as
receitas da União devem fechar o ano com alta entre 11% e 11,5%, descontada a
inflação oficial pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Anteriormente,
a previsão era crescimento entre 10% e 10,5%. “Os recolhimentos atípicos em
junho e julho foram pontos fora da curva, mas a arrecadação se acomodará nos
próximos meses até atingir nossas expectativas”, disse Zayda.
De
janeiro a maio, as receitas federais registravam crescimento acumulado de
10,69% em relação aos cinco primeiros meses do ano passado, também considerando
o IPCA. A diferença passou para 12,68% em junho e 13,98% em julho.
O
crescimento da economia e o pagamento de tributos em atraso impulsionaram a
arrecadação no mês passado. De acordo com a Receita, a consolidação das dívidas
do Refis da Crise pelas empresas e pessoas físicas provocou aumento no valor
das parcelas pagas, que saltou de uma média de R$ 660 milhões mensais para R$
2,2 bilhões em julho.
Além
disso, houve o recolhimento de R$ 5,8 bilhões da Contribuição Social sobre o
Lucro Líquido (CSLL) em atraso por uma empresa. Segundo Zayda, o pagamento
ocorreu por uma companhia do setor de mineração que desistiu de questionar, na
Justiça, a incidência da CSLL sobre as receitas de exportação depois que o
Supremo Tribunal Federal (STF) considerou válida a cobrança.
“A
decisão do Supremo ocorreu em agosto do ano passado, mas teve efeito
vinculante. Todas as ações que tramitavam na Justiça passam a seguir o Supremo
assim que são julgadas”, informou a secretária-adjunta.
Sobre
os possíveis efeitos da crise econômica internacional sobre a arrecadação,
Zayda declarou que a Receita Federal não tem como avaliar as consequências de
uma eventual recessão global sobre a arrecadação brasileira. Ela, no entanto,
admitiu que algum impacto pode ocorrer, mas com defasagem. Por enquanto, o
Fisco mantém a estimativa de crescimento real de cerca de 11% para este ano.