O
PDT pode abandonar tradicionais aliados para caminhar com o PMDB nas próximas
eleições, em Mato Grosso
do Sul.
Ontem, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi (PDT-RJ), e o presidente
regional do partido, ex-deputado federal Dagoberto Nogueira, confirmaram a aproximação
com o governador André Puccinelli (PMDB). O plano dos pedetistas é reunir em
uma mesma chapa PT, PMDB e PDT.
A união começaria na sucessão da prefeitura da
Capital e se reproduziria nas eleições de 2014. André admitiu estar aberto para
o diálogo, enquanto o senador Delcídio do Amaral (PT) descartou abandonar o
projeto de candidatura própria do PT em Campo Grande.
Os
sinais de aproximação entre PDT e PMDB começaram após café da manhã, dividido
por Lupi, Dagoberto, André e Delcídio. Os quatro chegaram abraçados, ontem, na
I Conferência Regional do Emprego e Trabalho Decente. No evento, o ministro
defendeu esquecer o passado de rixas para reproduzir aliança nacional de PT com
PMDB e PDT. "Quando vejo o senhor (André) do lado do Delcídio e
conversando com tanta fraternidade com o Dagoberto vejo uma aliança que faz o
Mato Grosso do Sul progredir sem rancor", disse.
Na
sequência, o governador também pediu para "olhar para frente" e
reconheceu "olhar com bons olhos o PDT". Ele ainda aproveitou para
assedir os petistas, tradicionais rivais do PMDB no Estado. "Com você, eu
vou conversar por último", disse André a Delcídio. "O egoísmo de uns
nos impediu de estarmos juntos no passado, mas isso é passado", emendou.
Após
a solenidade, o clima de "namoro" só aumentou. Em evento de filiação
do PDT, o presidente municipal do partido, vereador Paulo Pedra, presenteou
André com "um cachimbo da paz". Em entrevista, Lupi confirmou a
possibilidade de fechar aliança com o PMDB. "Hoje (ontem), tivemos um
primeiro diálogo com o governador André Puccinelli, estava junto o senador
Delcídio do Amaral. O PMDB é da base da presidente Dilma Rousseff. O ideal para
gente é estar todo mundo junto, se tiver todo mundo junto a vitória é mais
fácil", comentou.
Dagoberto
endossou as negociações e até falou em chapa para 2014. "Eu quero que o
governador haja com a possibilidade de amanhã ou depois a gente possa apoiar
ele para o Senado, desde que ele faça um gesto. E vamos apoiar o Delcídio como
governador. É isso que ele (André) está querendo e ele pediu isso em prol de um
grande entendimento que é de interesse da presidente Dilma", revelou.
Lupi
reconheceu a possibilidade de o PDT apoiar Delcídio ao governo e André ao
Senado em troca do apoio a Dagoberto na disputa pela Prefeitura de Campo
Grande. "Para chegar em 2014 tem que passar por 2012. Por exemplo, como
vai ficar o Dagoberto e a Prefeitura de Campo Grande?, questionou. "Aqui,
se depender da minha vontade, gostaria que o Dagoberto fosse candidato a
prefeito", completou.
Indagado
sobre a dificuldade de unir PT e PMDB no Estado por conta da história de rixas,
o ministro amenizou as divergências. "Vi o Delcídio ali (com o governador)
e vi que não tem tanta rivalidade assim. Eu vi que tem possibilidade grande dessa
aliança. Tem que conversar, evoluir. Acontece nacionalmente porque não pode
acontecer aqui?, disse.
Delcídio,
no entanto, deixou claro seguir a posição do PT de lançar candidato próprio na
disputa pela sucessão da prefeitura da Capital. "Minha posição é a posição
de ontem. Nada mudou", declarou, referindo-se a evento do partido no qual
foi referendado o projeto de enfrentar o PMDB em Campo Grande.