Mesmo
com as altas taxas de juros, o consumidor brasileiro continua a recorrer ao
cheque especial e ao cartão de crédito. Segundo dados do Banco Central (BC), em
junho, as concessões de crédito por meio de cheque especial e cartão de crédito
representaram 60,8% do total para pessoas físicas, que foi R$ 75,203 bilhões.
Em
junho, as concessões acumuladas de cheque especial chegaram a R$ 25,526
bilhões, contra R$ 22,781 bilhões registrados em igual mês de 2010. A média diária de
concessões em junho deste ano ficou em R$ 1,216 bilhão, contra R$ 1,085 bilhão
de igual período de 2010.
Já
as concessões acumuladas do cartão de crédito ficaram em R$ 20,176 bilhões,
ante R$ 16,983 bilhões de junho do ano passado. A média diária passou de R$ 809
milhões, em junho de 2010, para R$ 961 milhões no mesmo mês deste ano.
De
acordo com o vice-presidente da Associação Nacional de Executivos de Finanças,
Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira, o
cheque especial e o cartão de crédito são empréstimos mais fáceis de serem
tomados porque estão pré-aprovados e disponíveis imediatamente para os
clientes.
Entretanto,
o custo dessas modalidades é muito elevado. Pelos dados da Anefac, a taxa de
juros do cheque especial ficou em 10,69% ao mês em julho. No caso do cartão
de crédito, os juros chegaram a 8,27%, acima da taxa média de 6,84% e do
crédito direto ao consumidor dos bancos. de 2,37% ao mês.
Oliveira
orienta os consumidores a negociar as taxas e os tipos de empréstimos com os
bancos. “Falta às pessoas saber que custa caro escolher essas modalidades. O
cheque especial só deve ser usado em prazo curto e em situação emergencial”,
disse Oliveira.
O
professor de economia da Universidade de Brasília (UnB) e consultor de finanças
pessoais Newton Marques observa que, em geral, os consumidores usam cheque
especial e cartão de crédito quando já não têm margem para tomar empréstimos
com custo mais barato. Para ele, os consumidores devem fazer planejamento de
suas contas.
O
primeiro passo é analisar detalhadamente cada uma das despesas e reduzir os
gastos que não são prioritários. “É preciso cortar na carne.”, diz Marques.
Quando o endividamento é alto, o consumidor pode vender bens, como o carro,
para pagar as dívidas. “A regra é não pagar juros”, destaca. O ideal é que,
além de quitar as dívidas, o consumidor reserve pelo menos 10% da renda para
aplicações e emergência.
Em
cenário de incertezas no mercado internacional e de menor ritmo de crescimento
da economia brasileira, o conselho dos especialistas é evitar dívidas. Isto
porque um menor crescimento econômico pode levar trabalhadores do setor privado
a perder o emprego e servidores públicos a ficar com reajustes salariais abaixo
do esperado. “É preciso segurar as despesas”, completa Marques.
“O
trabalhador deve ter muita cautela neste momento. É preciso evitar assumir
dívidas de longo prazo. Nesta crise [econômica], a cada dia, há uma notícia
pior, queda das bolsas. Não sabemos qual será a extensão desta crise no
Brasil”, conclui Oliveira.