O
governador André Puccinelli (PMDB) negou ter feito acordo com o ex-deputado
federal Dagoberto Nogueira (PDT) para apoiá-lo à sucessão do prefeito Nelsinho
Trad (PMDB), em Campo
Grande.
Dagoberto
surpreendeu os líderes dos partidos da oposição com a revelação de estar
articulando a sua candidatura para concorrer à prefeitura com apoio do PMDB
numa aliança que incluiria o PT. Ele deu como certo o acordo com o governador.
Tanto é que desistiu da nomeação para diretoria da Eletrosul, confiante no
apoio de André à sua candidatura a prefeito.
Mas
ontem André reagiu às declarações de Dagoberto. “Não! peraí”, retrucou o
governador com o questionamento de ter fechado acordo para apoiar Dagoberto. “O
PDT é que está me namorando. Não é que eu vou (apoiar), vamos pôr os pingos nos
is”, declarou o governador, na entrega de casas do Residencial Ronaldo Tenuta,
no Portal Caiobá II.
Ele
usou metáfora para mostrar o interesse do PDT de reintegrar a sua base aliada.
“Quem fica rodeando o toco é o que quer agarrar o toco, diz a coruja”, afirmou
o governador. Com isto, André aponta o desejo do ex-deputado Dagoberto Nogueira
de retirar o seu partido da oposição para retornar à base aliada.
Mas
em nenhum momento, segundo André, firmou compromisso de apoiar a candidatura de
Dagoberto Nogueira à Prefeitura de Campo Grande. O que se discute, no momento,
explicou o governador é a volta do PDT à sua base aliada. “O ministro (Carlos
Lupi, do Trabalho) diz: quem sabe voltamos (à base aliada)”, assinalou André
para desfazer a impressão de ter fechado aliança com o PDT para o PMDB apoiar
Dagoberto na sucessão de Nelsinho Trad.
Na
conversa ao pé-do-ouvido da vice-governadora Simone Tebet (PMDB), André afastou
a hipótese de apoiar a candidatura de Dagoberto. Depois comentou: “isto aí tá
longe de ser”, referindo-se à aliança com o pedetista. E ressaltou que
Dagoberto vai ter de “caminhar muito para ser prefeito”.
Dagoberto
disse, na sexta-feira (19), que o apoio do PMDB à sua candidatura seria
compensado com ajuda do PDT à candidatura de André Puccinelli ao Senado, em
2014. Nesta aliança, o pedetista incluiu o PT. Mas o governador reagiu logo em
seguida declarando não precisar do “PDT para se eleger senador”. O
pré-candidato do PT, senador Delcídio do Amaral, surpreendido com as
articulações de Dagoberto, procurou deixar claro a sua posição de não haver
nenhuma negociação de aliança com o PMDB.
Outro
que reagiu com duras críticas às articulações de Dagoberto foi o ex-governador
José Orcírio dos Santos (PT). “Tô fora”, declarou. Ele estranhou o “velho”
companheiro de jornada eleitoral incluir o PT numa aliança com o PMDB na
eleição em Campo
Grande. José Orcírio lembrou da decisão nas reuniões com a
presença de Dagoberto da impossibilidade de fazer acordo com o PMDB na Capital.
Mas
André está de portas abertas para receber o PDT como simples aliado. “Me deram
o cachimbo da paz, tudo bem. Sejam bem-vindos. Os filhos pródigos à casa
tornam”, afirmou.