Cidades
que proibiram ou firmaram acordos com o comércio para desestimular a
distribuição de sacolas plásticas comumente reutilizadas em lixeiras domésticas
registraram um aumento nas vendas de sacos de lixo.
Em Belo Horizonte, que aboliu as sacolas plásticas
do comércio em abril deste ano, a venda de sacos de lixo cresceu 15% em média,
conforme estimativa da Associação Mineira de Supermercados.
As
vendas também cresceram em Jundiaí (a 58 km de São Paulo), que retirou as sacolas
plásticas convencionais de circulação após um acordo entre Apas (Associação
Paulista de Supermercados), comerciantes e prefeitura, em agosto do ano
passado.
A
associação estima que, por mês, 80 toneladas de sacolas plásticas convencionais
deixaram de ser enviadas para aterros sanitários. Por outro lado, o consumo de
sacos de lixo no município aumentou em 20 toneladas.
Os
números causam impacto direto no bolso do consumidor. Nos supermercados, um
pacote com 30 unidades de saco de lixo de 30 litros pode custar
entre R$ 15 e R$ 25, a
depender da marca.
Para
carregar as compras, o consumidor deve usar sacolas biodegradáveis (R$ 0,19 a unidade) ou
retornáveis (a partir de R$ 3).
Para
o Movimento das Donas de Casa de Minas Gerais, o aumento dos custos alterou o
hábito no descarte do lixo.
"Estão
comprando mais saco de lixo, mas as pessoas também estão se preocupando mais
com a preservação ambiental. Alguns, por exemplo, passaram a usar na lixeira
sacos de fruta e até papel de jornal", diz Lúcia Pacífico, presidente da
entidade.
Impacto Menor
Conforme
a Abrelpe (Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos
Especiais), os sacos plásticos representam 1,3% de tudo o que é descartado
pelos brasileiros.
O
impacto ambiental dos sacos de lixo é menor porque são produzidos principalmente
com material reciclado, segundo especialistas. Já as sacolas plásticas são
feitas com matéria primária porque vão armazenar alimentos.
O
veto às sacolas plásticas, no entanto, desagrada ao setor da indústria da
embalagem flexível, que gera 30 mil empregos diretos no país e fatura entre R$
800 milhões e R$ 1 bilhão por ano.
A
Abief (associação do setor) defende a implementação de campanhas de
conscientização sobre o uso sustentável de sacolas plásticas em vez da
proibição.
Entre
2007 e 2010, o consumo de sacolas no país caiu 22% de 17,9 bilhões para 14
bilhões após campanhas promovidas por supermercados, segundo a Abief.