Os deputados governistas já avaliam plano B para a candidatura da base aliada à Prefeitura de Campo Grande depois da enxurrada de denúncias envolvendo o deputado federal Edson Giroto (PR) no escândalo de desvio de dinheiro do Ministério dos Transportes.
Ontem, o que mais se falava na Assembleia Legislativa era sobre o desgaste da imagem de Giroto com nova publicação da revista IstoÉ, apontando seu apadrinhamento a obras superfaturadas. "A candidatura de Giroto assim fica difícil", comentou o deputado Marquinhos Trad (PMDB) com a revista debaixo do braço.
"A saída da base aliada seria encontrar outro nome para concorrer a prefeitura", ressaltou o deputado. Zé Teixeira (DEM), também da base aliada, declarou a Marquinhos que "as imagens são fortes demais". Oficialmente, no entanto, peemedebistas e aliados evitaram falar sobre a situação de Giroto.
Segundo a revista, o deputado do PR é acusado de intermediar a liberação de R$ 26 milhões para a construção do Terminal Intermodal em Campo Grande. A obra foi paralisada por determinação do Tribunal de Contas da União (TCU) por sobrepreço e falhas na fiscalização do Ministério dos Transportes.
O plano B dos governistas para a sucessão do prefeito Nelsinho Trad (PMDB) é o secretário estadual de Habitação e das Cidades, Carlos Marun. Deputado licenciado, ele evitou polemizar sobre a publicação e defendeu Giroto. "Penso e desejo que não prejudique a pré-candidatura do Giroto, porque isso será uma injustiça", disse, e completou: "Sou pré-candidato, mas a minha pretensão não passa pelo enfraquecimento dele, que foi meu colega por tanto tempo, inclusive conheço sua competência e honestidade".
A discrição de Marun acompanha a orientação do governador André Puccinelli (PMDB), que ainda busca o consenso dos aliados em torno da pré-candidatura de Edson Giroto. O secretário de Habitação não descarta a hipótese da escolha do candidato ser de outro partido da base aliada, que não do PMDB. "O prefeito e o governador disseram, têm dito, que será um candidato da base aliada, que pode ser do PMDB, como pode ser de outro partido. Eu torço que seja do PMDB e quero esse candidato", afirmou. A escolha será balizada por pesquisas de intenções de votos.
O governador André admitiu, no desfile do aniversário de Campo Grande, o apoio a um candidato que não seja do PMDB. Ressaltou, entretanto, que tem preferência por um nome peemedebista para a sucessão de Nelsinho Trad. Como a disputa, na sua avaliação, será acirrada, é preciso cautela para escolher o candidato mais forte da base.
Preferência pelo PMDB
Nem todos os pré-candidatos do PMDB entendem assim. O vice-prefeito Edil Albuquerque disse ontem que a discussão é por um nome do partido e não a melhor escolha da base. "A nossa ação é independente dos outros partidos. O PMDB tem candidato, nós não estamos preocupados com o Giroto", afirmou. Sobre as denúncias da revista IstoÉ, Edil adotou a mesma postura dos colegas e preferiu não se pronunciar sobre o caso.
O vereador Paulo Siufi (PMDB), presidente da Câmara de Campo Grande, entende o acordo dos peemedebistas da mesma forma, mas com uma ressalva: "Discutimos um candidato do PMDB, que seria escolhido com base em pesquisas, em apoio de outros parlamentares, mas se houvesse um aliado muito a frente, poderíamos compor", afirmou. As denúncias envolvendo o deputado federal Edson Giroto, são, para Siufi, difíceis de avaliar. "Não sou eu quem julgo. As pesquisas que vão demonstrar se houve desgaste", concluiu.
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