Dos 5.565 municípios brasileiros, 5.532 (99,4%) responderam ao questionário
do governo federal. Desses, apenas 43% afirmaram que têm plano de carreira. O
Plano Nacional de Educação, que está em trâmite no Congresso, prevê dois anos
de prazo para que todos os Estados e municípios brasileiros desenvolvam planos
de carreira para todos os profissionais do magistério.
"A discussão é importante porque pesquisas nos mostram que, para ter um
impacto na melhoria da qualidade, a figura do professor é central. E, por isso,
é imprescindível falar de plano de carreira", diz Maria Carolina Nogueira
Dias, especialista em
Gestão Educacional da Fundação Itaú Social.
Antonio Roberto Lambertucci, diretor de Valorização dos Profissionais de
Educação do Ministério da Educação (MEC), diz que os municípios estão sendo
estimulados. "Estamos conversando com os Estados e municípios para
incentivar o regime de colaboração para que todos consigam apresentar seu plano
de carreira. Quem não apresenta, tem dificuldade de receber recursos
voluntários", afirma.
Para os especialistas, todo plano de carreira deve contemplar a formação do
professor, as condições de trabalho e a estrutura de incentivos. Uma discussão
complexa, que começa no pagamento do piso salarial.
Em junho, foi aprovada a lei que institui o piso nacional de R$ 1.187. Mas,
apesar disso, muitos Estados e municípios a estão descumprindo, o que gerou
greves e protestos. E, mesmo que consigam pagar o piso, os municípios podem não
ter caixa suficiente para bancar a progressão de renda prevista no plano de
carreira.
"Resolvido o salário, é importante incorporar outros indicadores, como
recrutamento, seleção, certificação e formação contínua do educador", diz
Maria Carolina. "E isso, além da meritocracia, porque a política de
bonificação traz essa questão para o debate, mas ainda não temos instrumentos
desenhados. Falta-nos uma maneira de avaliar melhor o professor e seu
desempenho em sala de aula."
Formação
A instituição do plano de carreira deve trazer consigo, também, a discussão
sobre a formação desse profissional que ingressa no magistério, diz Nelson
Marconi, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e pesquisador do tema.
"Não dá para só pensar nisso depois que já é funcionário. Tem de ver o que
antecede. Hoje, os cursos de Pedagogia preparam muito pouco para a sala de
aula. Focam nos conhecimentos de história e filosofia, mas a pessoa precisa
aprender a dar aula", diz.
Sem contar, diz Maria Carolina, que a profissão tem sido vista como última
alternativa. "A carreira é pouco atrativa, não atrai um público jovem. Vem
quem não consegue entrar no mercado. Por isso, o plano de carreira tem de
discutir como atrair e reter esse profissional."
Queda
Dados do Censo do Ensino Superior mostram que, em quatro anos, caiu pela
metade o número de formandos nos cursos que preparam docentes para os primeiros
anos da educação básica - como Pedagogia e Normal Superior. De 2005 a 2009, os alunos que
concluíram essas graduações baixaram de 103 mil para 52 mil. Os graduandos em
cursos de licenciaturas, que preparam professores para atuar no ensino médio e
nos últimos anos do fundamental, também diminuíram - foram 77 mil em 2005,
contra 64 mil em 2009.
Em junho, a Assembleia Legislativa paulista aprovou a nova política salarial
do Estado. O projeto inclui o reajuste de 42,2%, escalonado em quatro anos. Com
isso, o piso salarial de início de carreira (40 horas semanais) chegará a R$
2.368,51 em 2014.
Meta
"Não adianta os municípios apresentarem apenas seus planos de carreira.
É preciso que ele seja adequado: que o processo de seleção recrute gente com
perfil correto, que haja incentivos para que os docentes se capacitem e que
existam mecanismos de estudo e de cobrança de resultados. E isso só vai
acontecer se for debatido em uma rede que envolva os agentes da sociedade",
explida Nelson Marconi, professor da Fundação Vargas de São Paulo.
Em assembléia realizada ontem (03),em frente à Secretaria de Educação pelos professores
da rede estadual de São Paulo. Foram aprovadas ações em defesa dos direitos da
categoria e o calendário de negociações. A oposição, que queria uma
paralisação, contestou o resultado e não participou da passeata, que foi
cancelada.