Terça-feira, 06 de Setembro de 2011         07h19        53
Após corte de juros, sobe a previsão de inflação
Estadão/LD

O corte inesperado do juro voltou a reacender o pessimismo dos economistas com os preços. Para o mercado, o afrouxamento da taxa Selic deve aumentar o ritmo da economia, o que favorece a alta da inflação. Por isso, todas as previsões para os índices de preço em 2011 e 2012 subiram na pesquisa semanal divulgada ontem pelo Banco Central.

No primeiro levantamento Focus feito após a redução do juro para 12%, analistas indicaram que, para o mercado, a decisão terá um preço: mais inflação. Essa aposta é vista nas projeções para os quatro principais índices de inflação do Brasil: IPCA, IGP-M, IGP-DI e IPC-Fipe.

Para o índice usado no sistema de metas de inflação, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a previsão para 2011 avançou de 6,31% para 6,38%. Em igual tendência, a expectativa para o próximo ano saltou de 5,20% para 5,32%.

Os números, porém, tendem a continuar subindo. A própria pesquisa do BC revela que mais economistas preveem inflação superior a 6% em 2012.

Há uma semana, essa previsão era compartilhada por cerca de 2% dos analistas. Agora, já é a opção de quase 10%. Se confirmada, a inflação maior estará perto do teto permitido pelo sistema de metas, cujo máximo é de 6,5%.

O professor de economia da USP Fabio Kanczuk, por exemplo, esperava inflação de 4,9% em 2012 até terça-feira passada. Após o Copom, passou a prever 6,3%. "Pelo atual cenário, passaremos a ter mais inflação até que os números fiquem próximos do teto, o que obrigará o BC a voltar a subir o juro."

Kanczuk não concorda com a leitura feita pelo BC, mas reconhece que, se a crise global for muito pior que o previsto, há chance de o corte de juro ser bem-sucedido. "Foi uma aposta do BC de que a crise será grave. Precisamos de tempo para ver quem está certo."

Com a mudança do BC, o mercado refaz as contas e prevê juro menor nos próximos meses. A LCA Consultores divulgou nova previsão diante do que os analistas chamam de "nova postura" da instituição. "Os indícios de desaceleração da atividade doméstica e a mudança de postura do BC nos fazem acreditar que novos cortes na Selic estão por vir. Para a próxima reunião, nossa expectativa é de nova queda de 0,50 ponto."

 

 

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