A
presidente Dilma Rousseff quer distância da proposta aprovada no fim de semana
pelo PT que trata sobre a regulamentação da mídia. De acordo com informações
dos bastidores do Palácio do Planalto, a presidente, além de repudiar por
princípio, teme que as propostas que emergiram do 4.º Congresso Extraordinário
do PT, realizado em Brasília, minem o apoio conquistado na classe média. “É
importante separar a posição do partido da posição do governo”, resumiu ontem o
ministro das Comunicações, Paulo Bernardo.
A
posição de Dilma sobre os meios de comunicação é a mesma que ela sempre
manifestou, seja durante a campanha, seja depois de eleita, disse um de seus
auxiliares. Nas suas várias declarações sobre o tema, a presidente disse que o
único controle de mídia que ela leva em consideração é o controle remoto, para
mudar de programa na TV. “Não conheço outro tipo”, repete sempre que alguém
fala do assunto.
Ainda
de acordo com informações do Planalto, o governo tem uma agenda que envolve
preocupações com as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do
Minha Casa, Minha Vida, além de encontrar formas de proteger o País da crise
internacional. Tem ainda de evitar que projetos com aumentos das despesas
públicas sejam aprovados pelo Congresso.
Além
de não dar importância para a proposta feita pelo PT, Dilma orientou Paulo
Bernardo a examinar item por item do projeto sobre a regulamentação da
radiodifusão, feito pelo ex-ministro Franklin Martins. Segundo informações do
Planalto, Dilma disse ao ministro para ter cuidado com as “cascas de banana” do
projeto.
Ambiguidade.
Durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o controle da mídia animou
muito os petistas, porque, vez por outra, era defendido por Lula, que sempre
teve uma posição ambígua sobre o tema. Em uma entrevista, durante seu governo,
disse que só chegou à Presidência da República graças à liberdade de imprensa.
Lula
carregou essa ambiguidade durante os oito anos de seu mandato. Em agosto de
2004, ele propôs ao Congresso um projeto de criação do Conselho Federal de
Jornalismo (CFJ), com poderes para controlar a mídia. Dizia a proposta que o
conselho teria poderes para “orientar, disciplinar e fiscalizar” o exercício da
profissão e a atividade de jornalismo - até mesmo para punir jornalistas.
Pressionado
fora e dentro do Congresso, Lula retirou a proposta. Vez por outra o PT tenta
ressuscitá-la, seja por intermédio do partido, seja por outros meios, como a
Conferência Nacional de Jornalismo (Confecon) realizada em 2009. Nessa
conferência, os delegados chegaram a aprovar uma proposta que criava um
tribunal para julgar os meios de comunicação. Os projetos não vingaram até
agora.
Durante
o congresso do PT, realizado de sexta-feira a domingo, o Palácio do Planalto
chegou a agir para tentar amenizar repercussões da decisão do partido de
incorporar definitivamente à sua agenda a luta a regulação da mídia no País,
bandeira que tem ligado a legenda à defesa da censura. Mesmo assim, os cerca de
1,3 mil delegados petistas aprovaram a “convocação” aos militantes do partido
para que se engajem na luta pela “democratização dos meios de comunicação”,
marcada por duros ataques à imprensa.