O
taxista André Alves da Silva, de 72 anos, está internado há 34 dias no hospital
público de Dourados, distante 225 quilômetros de Campo Grande, a espera de
uma cirurgia no quadril. O idoso sofreu um acidente e recebeu o atendimento
emergencial, mas ainda não passou pelo procedimento cirúrgico.
O
taxista chegou a ser levado para Campo Grande em uma ambulância. A família
conseguiu uma senha, que garantiria vaga na Santa Casa. Porém, segundo o filho
Regirlândio Paz da Costa Silva, o pai foi mandado de volta para Dourados sem
receber o atendimento que precisava.
"Meu
pai, no estado que está, quebrado, imobilizado, deitado e precisando dessa
cirurgia, teve o transtorno de viajar até Campo Grande de ambulância e passar
por essa situação, de ficar abandonado o dia inteiro no corredor."
Por
meio de um documento, o cirurgião de quadril da Santa Casa, Antonio Maria Alves
Marques, que examinou o taxista, afirma que o paciente foi transferido com
autorização do diretor técnico do hospital, mas sem o aval da equipe de quadril
da Santa Casa. No documento, o cirurgião relata ainda que a equipe médica não
tinha condições técnicas para resolver o caso com a urgência necessária e
solicitou a transferência do paciente para um hospital que tivesse condições
para dar a solução que o caso merece.
A
secretária de Saúde de Dourados, Silva Bosso, afirma que a central de regulação
cometeu um erro ao destinar o paciente para uma vaga que não existia em Campo Grande.
"Nós
temos um trabalho integrado com a central de regulação de leitos em Campo Grande. No
entanto, houve um equívoco na liberação dessa vaga, estamos pedindo
esclarecimentos ao estado. O município de Dourados solicitou a vaga e, em um
primeiro momento, essa senha foi liberada."
A
enfermeira que acompanhou o paciente na ambulância durante a transferência
registrou um boletim de ocorrência na polícia relatando o caso. Diante do
impasse, o município informou que aguarda a liberação de outra vaga para que o
taxista seja operado, segundo a secretária de Saúde.
"Estamos
reavaliando com a equipe médica e fazendo uma nova solicitação dizendo da
necessidade de fazer a cirurgia. No entanto, ela não é de urgência, já que o
paciente não corre risco de morte. Portanto, ele poderia esperar mais alguns
dias para conseguir essa vaga."
A
família denunciou a situação ao Ministério Público Estadual. Foi instaurado um
pedido de providência recomendando que a cirurgia seja feita com prioridade
absoluta, por se tratar de um paciente idoso e também pela gravidade do caso.
De
acordo com o promotor de Justiça do Direito dos Idosos, Izonildo Gonçalves de
Assunção Júnior, a secretaria municipal de Saúde e a direção do hospital de
Dourados se comprometeram a dar uma resposta até o início da tarde desta
sexta-feira (9).
"Não
tendo uma resposta do que vai ser feito com o paciente, o Ministério Público
vai entrar com uma medida judicial obrigando o estado ou quem de direito for
para que proceda essa cirurgia."