A diplomacia americana considera que a corrupção durante o governo de
Luiz Inácio Lula da Silva era "generalizada e persistente" e atingia
todos os Três Poderes. A avaliação foi revelada em uma carta enviada há
um ano e meio pelo embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas
Shannon, ao procurador-geral americano, Eric Holder.
Na carta, que servia como uma preparação para a visita de Holder ao
Brasil, Shannon fez ainda um raio X da Justiça brasileira, acusando-a de
"despreparada" e "disfuncional". O documento foi revelado esta semana
pelo WikiLeaks.
Essa não é a primeira revelação sobre os comentários da diplomacia
americana sobre a corrupção no Brasil. Documentos de 2004 e 2005
revelaram a mesma preocupação e mesmo o risco de os escândalos do
mensalão acabarem imobilizando o governo.
Mas o que fica claro é que, mesmo no último ano do governo Lula, a
percepção americana não havia mudado sobre a presença da corrupção na
administração. E o fenômeno não se limitaria aos Três Poderes. Segundo
Shannon, as forças de ordem também seriam prejudicadas por "falta de
treinamento, rivalidades burocráticas, corrupção em algumas agências e
uma força policial muito pequena para cobrir um país com 200 milhões de
habitantes".
Outra constatação da diplomacia americana foi sobre os problemas
enfrentados pela Justiça no Brasil. "Apesar de muitos juristas serem de
alto nível, o sistema judiciário brasileiro é frequentemente descrito
como sendo disfuncional, permeado por jurisdições que se acumulam, falta
de treinamento, burocracia e atrasos", escreveu o embaixador.
Para Shannon, "polícia, procuradores e juízes precisam de treinamento
adicional" no Brasil. "Procuradores e juízes, em especial, precisam de
treinamento básico para ajudá-los a caminhar em direção a um sistema
acusatório mais eficiente", escreveu.