O
governo do Tocantins usou portarias que declararam situação de emergência no
Estado para contratar sem licitação empresas que doaram ou prestaram serviços à
coligação do governador Siqueira Campos (PSDB).
Os
contratos, que somam mais de R$ 70 milhões, se concentram nas áreas de
infraestrutura e de comunicação. Legalmente, as portarias que declaram situação
de emergência dispensam o governo de realizar licitação para agilizar a ação do
Estado.
O
Ministério Público do Estado viu irregularidade nas medidas e já entrou com
ações civis públicas para tentar anular as portarias e cancelar os contratos.
No
caso da infraestrutura, o governo declarou, em junho, situação de emergência em
1.210 km
de estradas, quase um terço dos cerca de 3.900 km de rodovias
estaduais pavimentadas do Tocantins. A medida, segundo o governo, era
necessária porque os trechos precisavam de reparos imediatos.
O
governo contratou sem licitação, por cerca de R$ 67 milhões, seis empreiteiras
para as obras. Conforme levantamento da Folha,
quatro delas, que receberam R$ 42 milhões dos contratos, doaram mais de R$ 1,5
milhão para siglas e candidatos da coligação que elegeu Siqueira Campos.
Dados
do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), mostram que uma delas, a CCM (Construtora
Centro Minas Ltda), que levou o maior contrato de recuperação de estradas --com
valor superior a R$ 19 milhões-- doou R$ 750 mil para o comitê financeiro do
PSDB no Tocantins.
Também
em junho, o governo usou o mesmo mecanismo na área de comunicação social. A
medida permitiu a contratação, novamente sem licitação, por mais de R$ 3
milhões, de quatro empresas de publicidade.
Segundo
o governo, a medida era necessária porque não havia contrato para continuar
campanhas de conscientização como a de prevenção à dengue e à tuberculose,
entre outras consideradas emergenciais.
Uma
das empresas, a O2 Consultoria e Planejamento Publicidade Ltda, que recebeu R$
1 milhão, produziu em 2010, segundo dados do TSE, programas de rádio e TV para
o comitê do PSDB no Tocantins por R$ 256,5 mil.
O
governo do Tocantins afirma que não houve favorecimento e que tem contratado
sem licitação porque a nova administração ficou três meses sem orçamento.