O
desempenho dos alunos que participaram do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem)
de 2010 foi superior ao de 2009. Enquanto no ano anterior a média nacional das
provas objetivas – matemática, língua portuguesa, ciências humanas e da
natureza – foi 501,58 pontos, em 2010
a nota subiu para 511,21 pontos. Essas médias referem-se
não a todos os participantes do Enem, mas apenas àqueles que estavam concluindo
o ensino médio quando fizeram a prova.
Pela
primeira vez desde que o exame foi criado, em 1998, é possível comparar
os resultados de duas edições distintas. Isso porque em 2009 o Instituto
Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) adotou uma nova metodologia
chamada Teoria de Resposta ao Item (TRI), que permite “calibrar” as provas para
que elas tenham o mesmo nível de dificuldade de um ano para outro.
O
Ministério da Educação (MEC) divulga na segunda-feira (12) os resultados de
cada uma das 23.900 escolas que participaram da prova no ano passado. Na
redação a média foi 596,25 pontos no ano passado contra 585,06 em 2009. Para o
ministro Fernando Haddad, o crescimento da nota dos candidatos foi satisfatório
e indica melhoria na qualidade do ensino médio.
A
meta do MEC é que a média chegue a 600 pontos até 2028. “O Brasil, de maneira
inédita, trabalha com o conceito de meta de qualidade na educação básica e
desde então nós temos superado as metas previstas.” Na avaliação do ministro “é
o próprio Enem que melhorou o resultado do Enem”.
“O
vestibular desorganiza o trabalho da escola e o Enem organiza. Quando você
substitui um pelo outro você tem impacto na qualidade. Essa é a nossa pregação,
que precisamos continuar nesse processo para transformar o ensino médio. O Enem
dá impulso a uma ação de melhoria. O vestibular desorganiza pela própria
irracionalidade do processo, em que cada universidade tem um processo seletivo
e você acaba tendo uma sobreposição de conteúdos que nenhuma escola, em sã
consciência, consegue cobrir em três anos. Você dispersa a energia”, defende
Haddad.
Para
Mozart Neves Ramos, membro do Conselho Nacional de Educação (CNE) e do Conselho
de Governança do movimento Todos Pela Educação, o Enem induz a melhoria, mas
não conseguirá sozinho promover a mudança de qualidade necessária. Ele avalia
que o incremento de 10 pontos na prova entre 2009 e 2010 é resultado de um
trabalho mais direcionado que as escolas têm feito – tanto públicas quanto
particulares – para preparar os seus alunos para o Enem. Isso porque desde 2009
o exame passou a substituir o vestibular de algumas universidades públicas,
além de ser pré-requisito para quem quer disputar as bolsas oferecidas em
instituições particulares por meio do Programa Universidade para Todos
(ProUni), o que fez crescer o interesse e aumentou o número de inscritos.
“É
natural que houvesse esse avanço a partir desse foco que as escolas estão
dando, tanto públicas quanto privadas, na preparação para a prova. Por onde a
gente anda vê propaganda de cursinhos e instituições que estão preparando o
aluno para o Enem e o próprio aluno começa a se moldar para esse novo modelo
avaliativo. Não necessariamente o aumento da nota significa que a qualidade do
ensino médio melhorou. O ensino médio ainda está estagnado do ponto de vista do
desempenho. O aluno precisa urgentemente de uma nova escola”, disse Ramos.
O
ministro aponta que a Prova Brasil - avaliação aplicada a todos os alunos do 5°
e do 9° ano do ensino fundamental - foi responsável por uma melhoria da
qualidade nesta etapa. Ele espera que o Enem tenha o mesmo efeito no ensino
médio. “Quando me perguntavam porque o ensino fundamental avança mais do que o
médio, eu atribuía a dois fatores. Primeiro, não há como melhorar a qualidade
por cima, é preciso avançar da base. Por outro lado, o ensino médio não contava
com um instrumento como a Prova Brasil, que ajuda na organização do trabalho da
escola”, disse.
O
índice de participação dos estudantes concluintes do ensino médio no Enem
também cresceu. Em 2009, 45,8% dos alunos fez a prova e em 2010 o número chegou
a 56,4%. Para a edição de 2011, que será aplicada nos dias 22 e 23 de outubro,
há 5,4 milhões de inscritos. Desse total, 1,4 milhão estão terminando os
estudos neste ano. A meta do ministro é que o exame chegue a ser
universalizado, com a participação de 100% dos alunos do ensino médio.
“O
que nós queremos é que o Enem seja uma espécie de componente curricular do
ensino médio. Ou seja, que os estudantes façam a prova mesmo que não pretendam
utilizar o resultado para ingressar em uma universidade, que façam como
atividade de conclusão da educação básica, até para saber como terminaram”,
defendeu.
Os
resultados do Enem 2010 por escola estarão disponíveis no site do Inep
a partir de segunda-feira.