Um
colégio indígena localizado em
Santo Antônio do Iça, no extremo oeste do Amazonas, próximo à
fronteira com a Colômbia, registrou a pior a nota do país no Enem (Exame
Nacional do Ensino Médio) pelo segundo ano seguido.
A
escola estadual Dom Pedro 1º teve média de 359,79 pontos, menos da metade dos
761,7 conquistados pelo colégio carioca São Bento, primeiro no ranking
nacional.
Para
chegar na comunidade indígena Tikuna, onde fica a escola, é preciso navegar
cerca de duas horas pelo rio Solimões, a partir de Santo Antônio do Iça. O
colégio atende cerca de 600 alunos da tribo.
Segundo
a coordenadora de educação do município, Suzete Ribeiro, o fraco desempenho no exame
está relacionado ao fato da tribo falar três idiomas.
Além
da língua nativa e o português, a proximidade com o país vizinho acaba forçando
os indígenas a aprenderem também o espanhol.
"Muitos
alunos falam e escrevem em espanhol melhor do que em português. Por
causa disso, as notas das redações acabam sendo muito baixas", afirmou
Suzete.
No
Estado de São Paulo, o pior resultado no exame também foi obtido por um colégio
indígena.
A
escola estadual Txeru ba e kua-i, na comunidade tupi-guarani de Ribeirão
Silveira, em Bertioga (litoral de SP), conseguiu 432 pontos.
Procurada
pela reportagem, a Secretaria de Educação do Estado não quis comentar o
resultado da escola.