O governo brasileiro divulgou, nesta quarta-feira (14), o segundo
balanço da preparação do país para a Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014, perto
dos mil dias para o início do evento.
Participaram do evento os ministros do Esporte, Orlando Silva; do
Planejamento, Miriam Belchior; das Cidades, Mario Negromonte; da Secretaria
Especial de Portos, Leônidas Cristino; e da Secretaria de Aviação Civil, Wagner
Bittencourt. Representantes das doze cidades-sede apresentam o estágio das
obras de mobilidade urbana e estádios.
O ministro Orlando Silva ainda anunciou o lançamento, ainda em
setembro, de edital para a produção de campanha de promoção do Brasil no
exterior. "O Mundial é um evento que se auto promove, mas devemos
aproveitar a oportunidade para promover o Brasil", lembrou.
Segundo Orlando, um novo balanço deve ser apresentado em quatro
meses. "Estamos seguindo a determinação da presidenta Dilma Rousseff, que
quer um acompanhamento de tudo que está sendo feito", reforçou.
Para o ministro, o próximo tema a entrar na matriz de
responsabilidade, que determina as obrigações dos governos federal, estadual e
municipal, deverá ser a segurança.
"A segurança para a Copa deverá entrar e aí também terá seu
espaço nos próximos balanços", afirmou. Wagner Bittencourt falou da
concessão dos aeroportos de Brasília (DF), Viracopos (SP) e Guarulhos (SP), que
estão com o edital sendo finalizado. "Estamos terminando a minuta do
edital para que o tribunal de contas [TCU] possa analisar", disse.
Para Bittencourt, a experiência com o aeroporto de São Gonçalo do
Amarante, em Natal, é um indicativo do sucesso das concessões.
"Com 228% de ágil no leilão feito na Bolsa de Valores de São
Paulo, o consórcio, montado com capital 50% nacional e 50% estrangeiro,
demonstra a esperança no Brasil e no crescimento do setor, que é muito maior
que o da China, por exemplo", ressaltou. O ministro ainda anunciou o
aumento do investimento para reformas nos aeroportos de R$ 5,6 bilhões para R$
6,4 bilhões.
"A intenção [com o investimento maior] não é somente aumentar
a capacidade dos aeroportos, mas também melhorar a qualidade dos serviços. E,
com o aporte, temos certeza que todos estarão prontos para a Copa do
Mundo", afirmou.
O ministro Mario Negromonte classificou a mobilidade urbana como o
maior legado da realização do mundial. "A primeira intenção é levar o
espectador até as arenas. Mas com o PAC Copa [Programa de Aceleração do
Crescimento] somado ao que vai atuar na mobilidade das grandes cidades, teremos
um legado importante para toda a população", afirmou.
Segundo Negromonte, 24 cidades serão beneficiadas pelos dois
programas, com um investimento total de R$ 30 bilhões, sendo R$ 12 bilhões do
PAC Copa e outros R$ 18 bilhões do PAC de mobilidade nas grandes cidades. A min
istra Belchior ressaltou que o Brasil foi escolhido como sede da Copa do Mundo
em 2007, mas que as 12 cidades-sede só foram definidas em maio de 2009.
"As mudanças da legislação e as obras do primeiro ciclo, que
inclui estádios, portos e mobilidade, já tinham suas responsabilidades
definidas em janeiro de 2010. E hoje têm o ritmo necessário para termos uma boa
Copa do Mundo", defendeu.
Miriam ainda destacou as iniciativas de transparência e
acompanhamento.
"Para podermos prestar contas a sociedade, temos toda a
transparência por meio dos portais, do governo federal, da Controladoria Geral
da União, do Tribunal de Contas. Se tem mais gente olhando o que está se
fazendo, os gestores se preocupam para que as coisas andem mais rapidamente e
de forma adequada", afirmou.
Confira o andamento das obras:
Estádios
Todas as doze arenas iniciaram obras. Nove delas estarão
concluídas até final de 2012 e as restantes estarão prontas até o final de 2013, a tempo portanto de
sediar os jogos. O BNDES ofereceu linha de financiamento para os estádios, com
valor limitado a R$ 400 milhões. Já foram assinados contratos que totalizam R$
2,3 bilhões. Todas as arenas terão certificação ambiental.
Aeroportos
Os investimentos, realizados integralmente pelo governo federal,
chegam a R$ 6,5 bilhões, em treze aeroportos nas cidades-sede. Em oito
aeroportos, as obras já se iniciaram. Uma delas, em Viracopos (SP), já foi
concluída.
Mobilidade urbana
As obras de mobilidade urbana são parte importante do legado que
ficará para os brasileiros depois da Copa. Por isso, o governo federal, em
conjunto com governos estaduais e municipais, selecionou 49 obras, dentro do
PAC, para ofertar recursos às cidades-sede, que são responsáveis pela execução.
Hoje, cinco cidades já iniciaram obras.
Portos
São sete obras de execução rápida, que visam essencialmente
construção de terminais turísticos modernos e adequados à demanda crescente de
cruzeiros no litoral brasileiro. Em quatro cidades, o edital de licitação já
foi publicado. Todas as obras serão concluídas em 2013, com investimentos de R$
898,9 milhões.
Ações institucionais
Estão em funcionamento nove câmaras temáticas, que reúnem os
diversos níveis de governo com os responsáveis das cidades-sede para proposição
de políticas públicas e soluções técnicas que garantam legado para o país e as
cidades.
Das onze garantias federais oferecidas à FIFA para realização da
Copa no Brasil, seis já foram atendidas. O projeto da Lei Geral da Copa, que trata
de outros temas que constam das garantias, será enviado ainda esta semana ao
Congresso Nacional. Assim, será concluída a etapa de honrar com as garantias
que o país ofereceu à realização do evento.
Duas legislações importantes já estão em vigor - o Regime
Diferenciado de Contratação e a Lei 12.350, que trata de isenção fiscal e
direitos alfandegários.
Mecanismos de
transparência
A sociedade brasileira dispõe de ferramentas para acompanhar a
execução orçamentária e andamento das obras da Copa. O Portal da Transparência,
da CGU, se constitui, com colaboração direta do governo federal e cidades-sede,
em fonte para informação e acompanhamento da população.
No próximo dia 16, o Portal da Copa do governo federal
(WWW.COPA2014.GOV.BR) entra no ar em sua versão definitiva, para ofertar
notícias e informações atualizadas à imprensa e à sociedade brasileira.