O
ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou nesta quinta-feira, 15, que
elevará em 30 pontos porcentuais o Imposto sobre Produtos Industrializados
(IPI) de automóveis e caminhões para as montadoras que não cumprirem os
requisitos que estão sendo estabelecidos hoje pelo governo.
As montadores terão
que utilizar no mínimo 65% de conteúdo nacional ou regional (Mercosul),
investirem em pesquisa e desenvolvimento e preencherem pelo menos 6 dentre 11
requisitos de investimentos.
Entre eles, Mantega citou montagem do veículo no Brasil, estampagem, fabricação
de motores, embreagens e câmbio. O ministro disse que todas as empresas, em
princípio, estão habilitadas, mas o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e
Comércio Exterior (MDIC) terá 60 dias para certificar as montadoras que
cumprirem os requisitos e, assim, manterem o IPI no patamar atual. "Para
as empresas que preencherem os requisitos não muda nada", disse Mantega.
"É uma medida que garante a expansão dos investimentos no Brasil, o desenvolvimento
tecnológico e a expansão da capacidade produtiva no Brasil", completou.
Mantega disse que a medida vale até dezembro de 2012.
Disputa
Mantega
disse ainda que a crise internacional tem reduzido o número de consumidores de
veículos no mundo, levando as montadoras a trabalharem com capacidade ociosa, o
que tem levado à uma disputa de mercados. "O Brasil tem conseguido manter
as vendas elevadas. Mas, hoje, o consumo está sendo apropriado pelas
importações que estão acontecendo no País. Há um desespero. O consumidor está
sofrendo assédio do produto internacional", disse Mantega para justificar
a adoção das medidas anunciadas hoje para o setor automotivo. "Nós
corremos o risco de exportarmos emprego para outros países", completou.
Mantega disse que o governo ficou preocupado também com as notícias de que a
indústria automotiva está aumentando os estoques nos pátios e dando férias
coletivas. "Essas medidas vão dar condições para que a indústria que gera
emprego e inovação tecnológica continue se expandindo. O mercado brasileiro
deve ser usufruído pelas empresas brasileiras e não pelos importados",
afirmou Mantega.