Os
preços dos importados só ficarão maiores a partir do final de novembro. O
governo brasileiro decidiu aumentar o IPI (Imposto sobre Produtos
Industrializados) de todo modelo que seja feito lá fora para beneficiar a
indústria nacional e melhorar a competitividade dos carros daqui frente aos de
fora, principalmente os chineses.
O
ministro da Fazenda, Guido Mantega, explicou nesta quinta-feira (15) que os
carros só não ficarão com imposto maior se tiverem, pelo menos, 65% de produção
nacional. Se o conteúdo importado, seja ele peças do motor e da carroceria,
seja plásticos ou até mesmo a pintura, o imposto pode subir até 55%.
Para
os modelos de até mil cilindradas (os carros 1.0), o imposto que hoje é de 7%
vai aumentar para 37%. Os veículos de até 2.000 cilindradas (o motor 2.0) terão
a alíquota elevada das atuais taxas entre 11% e 13% para algo entre 41% e 43%.
Os carros maiores, com motores acima de 2.0, têm alíquota de 25% e poderão
passar a ter imposto de 55%.
Em
uma conta simples, vale dizer que um carro 1.0 que hoje custa R$ 23 mil sem
impostos, com o IPI atual ele teria mais R$ R$ 1.610 adicionados ao preço
(devido à alíquota de 7%). A partir de novembro, ele passaria a valer R$ 31.510
por causa do IPI de 37%.
Um
de motorização acima de 2.0 com preço de fábrica de R$ 50 mil pagaria um IPI de
25%, o que faria o valor de venda ficar em R$ 62,5 mil. Pelo novo valor, esse
mesmo importado seria vendido por R$ 77,5 mil.
A
medida foi publicada nesta sexta (16) no Diário Oficial da União.
Zerando estoques
Mantega
afirmou que as montadoras terão 60 dias para mostrar qual a fatia de seus
carros é feita aqui. De 12 a
15 empresas entram nessa conta. É o caso das quatro grandes (Volkswagen, Fiat,
General Motors e Ford), que respondem por 7 em cada 10 modelos vendidos
atualmente.
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Há um desespero da indústria mundial e o Brasil, que tem consumidores, está
sofrendo esse assédio. Corremos o risco de estarmos exportando empregos. Para
proteger essa indústria, que gera empregos, inovação tecnológica, estamos
tomando essas medidas.
Hoje,
não existe qualquer exigência de conteúdo nacional e as fabricantes podem
importar até 100% para apenas montar os carros por aqui.
Após
o anúncio de Mantega, José Luis Gandini, presidente da Abeiva (Associação
Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores), foi abordado por
jornalistas e explicou que isso vai afetar a competitividade das montadoras. Na
economia, competitividade significa preço baixo para o consumidor.
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Hoje, o temor de uma crise é muito grande. Estão invertendo as coisas. Os
estoques das montadoras estão altos e estão colocando a culpa na
competitividade das importadoras. Isso está errado.
Segundo
ele, não há justificativa para a medida, pois as importações representam 6% de
todas as vendas no país.
O
presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos
Automotores), Cledorvino Belini, comemorou a medida.
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Os estoques hoje não estão nos níveis ideais, mas em pouco tempo estarão
normalizados.
Há
um estoque aproximado de 400 mil veículos novos nos pátios brasileiros, o
equivalente a 37 dias de venda. A Anfavea diz que o nível considerado normal
está entre 28 e 30 dias.
Novas fábricas
Para
as estrangeiras, o problema soa mais como algo de curto prazo do que de longo
tempo. Isto é, o governo quer defender o produto nacional sem elevar sua
qualidade, mas prejudicando os importados, que chegam mais baratos por
aqui.
Montadoras
como Chery, Chana, Effa e Lifan foram procuradas pela reportagem do R7 para comentar a medida, mas a
maioria disse que ainda vai estudar como se adequar à nova alíquota de IPI.
Na
avaliação de especialistas, a própria OMC (Organização Mundial do
Comércio) poderia entrar com ação contra o aumento de impostos, já que
configuraria um protecionismo que a organização condena.
O
ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, diz que as empresas terão
condições de se adequar às novas medidas sem repassar custos ao consumidor. O
aumento anunciado ontem deve vigorar até dezembro de 2012.
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A medida visa exatamente a atrair empresas a fabricarem aqui e não apenas
importar.
É
o que as maiores chinesas estão fazendo. A Chery já iniciou a construção de uma
fábrica em Jacareí (interior de SP) com capacidade de produção de 150 mil a 170
mil e deve começar a operar em 2013.
A JAC quer iniciar a produção na fábrica em 2014, que
ainda não tem local definido, mas já tem investimentos previstos de R$ 900
milhões.
A sul-coreana Hyundai, que
faz uma versão antiga do SUV Tucson em Goiás, quer implantar uma unidade
moderna em Piracicaba (interior de SP) para não ter mais que trazer seus
líderes de venda Tucson e i30 de fora. Para isso, a empresa já anunciou
investimentos de mais de R$ 1 bilhão.
O passo atual dessas
fabricantes é o mesmo das quatro grandes quando chegaram. A Volkswagen é alemã
e, antes de ter uma fábrica aqui nos anos 1950, trazia seus carros da Europa. O
mesmo ocorria com a italiana Fiat e as americanas General Motors e Ford.