Sexta-feira, 16 de Setembro de 2011         11h50        193
Veículos importados vão ficar mais caros a partir de novembro
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 Veículos importados vão ficar mais caros a partir de novembro
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Os preços dos importados só ficarão maiores a partir do final de novembro. O governo brasileiro decidiu aumentar o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) de todo modelo que seja feito lá fora para beneficiar a indústria nacional e melhorar a competitividade dos carros daqui frente aos de fora, principalmente os chineses.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, explicou nesta quinta-feira (15) que os carros só não ficarão com imposto maior se tiverem, pelo menos, 65% de produção nacional. Se o conteúdo importado, seja ele peças do motor e da carroceria, seja plásticos ou até mesmo a pintura, o imposto pode subir até 55%.

Para os modelos de até mil cilindradas (os carros 1.0), o imposto que hoje é de 7% vai aumentar para 37%. Os veículos de até 2.000 cilindradas (o motor 2.0) terão a alíquota elevada das atuais taxas entre 11% e 13% para algo entre 41% e 43%. Os carros maiores, com motores acima de 2.0, têm alíquota de 25% e poderão passar a ter imposto de 55%.

Em uma conta simples, vale dizer que um carro 1.0 que hoje custa R$ 23 mil sem impostos, com o IPI atual ele teria mais R$ R$ 1.610 adicionados ao preço (devido à alíquota de 7%). A partir de novembro, ele passaria a valer R$ 31.510 por causa do IPI de 37%.

Um de motorização acima de 2.0 com preço de fábrica de R$ 50 mil pagaria um IPI de 25%, o que faria o valor de venda ficar em R$ 62,5 mil. Pelo novo valor, esse mesmo importado seria vendido por R$ 77,5 mil.

A medida foi publicada nesta sexta (16) no Diário Oficial da União.

Zerando estoques

Mantega afirmou que as montadoras terão 60 dias para mostrar qual a fatia de seus carros é feita aqui. De 12 a 15 empresas entram nessa conta. É o caso das quatro grandes (Volkswagen, Fiat, General Motors e Ford), que respondem por 7 em cada 10 modelos vendidos atualmente.

- Há um desespero da indústria mundial e o Brasil, que tem consumidores, está sofrendo esse assédio. Corremos o risco de estarmos exportando empregos. Para proteger essa indústria, que gera empregos, inovação tecnológica, estamos tomando essas medidas.

Hoje, não existe qualquer exigência de conteúdo nacional e as fabricantes podem importar até 100% para apenas montar os carros por aqui.

Após o anúncio de Mantega, José Luis Gandini, presidente da Abeiva (Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores), foi abordado por jornalistas e explicou que isso vai afetar a competitividade das montadoras. Na economia, competitividade significa preço baixo para o consumidor.

- Hoje, o temor de uma crise é muito grande. Estão invertendo as coisas. Os estoques das montadoras estão altos e estão colocando a culpa na competitividade das importadoras. Isso está errado.

Segundo ele, não há justificativa para a medida, pois as importações representam 6% de todas as vendas no país.

O presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Cledorvino Belini, comemorou a medida.

- Os estoques hoje não estão nos níveis ideais, mas em pouco tempo estarão normalizados.

Há um estoque aproximado de 400 mil veículos novos nos pátios brasileiros, o equivalente a 37 dias de venda. A Anfavea diz que o nível considerado normal está entre 28 e 30 dias.

Novas fábricas

Para as estrangeiras, o problema soa mais como algo de curto prazo do que de longo tempo. Isto é, o governo quer defender o produto nacional sem elevar sua qualidade, mas prejudicando os importados, que chegam mais baratos por aqui.

Montadoras como Chery, Chana, Effa e Lifan foram procuradas pela reportagem do R7 para comentar a medida, mas a maioria disse que ainda vai estudar como se adequar à nova alíquota de IPI.

Na avaliação de especialistas, a própria OMC (Organização Mundial do Comércio) poderia entrar com ação contra o aumento de impostos, já que configuraria um protecionismo que a organização condena.

O ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, diz que as empresas terão condições de se adequar às novas medidas sem repassar custos ao consumidor. O aumento anunciado ontem deve vigorar até dezembro de 2012.

- A medida visa exatamente a atrair empresas a fabricarem aqui e não apenas importar.

É o que as maiores chinesas estão fazendo. A Chery já iniciou a construção de uma fábrica em Jacareí (interior de SP) com capacidade de produção de 150 mil a 170 mil e deve começar a operar em 2013. A JAC quer iniciar a produção na fábrica em 2014, que ainda não tem local definido, mas já tem investimentos previstos de R$ 900 milhões.

A sul-coreana Hyundai, que faz uma versão antiga do SUV Tucson em Goiás, quer implantar uma unidade moderna em Piracicaba (interior de SP) para não ter mais que trazer seus líderes de venda Tucson e i30 de fora. Para isso, a empresa já anunciou investimentos de mais de R$ 1 bilhão.

O passo atual dessas fabricantes é o mesmo das quatro grandes quando chegaram. A Volkswagen é alemã e, antes de ter uma fábrica aqui nos anos 1950, trazia seus carros da Europa. O mesmo ocorria com a italiana Fiat e as americanas General Motors e Ford.

 

  Santos    |   16/09/2011   15h23
  Coxim  |  
Parabéns ao ministro, até que enfim o governo toma uma iniciativa quanto à geração de emprego. Fernando Collor com todos os seus erros contribuiu para que nosso país tivesse carros e não carroças. Penso que nossos carros ainda são lixo perto dos carros japoneses, europeus e norte americanos. E esta na hora de baixar os impostos dos carros para que o povo brasileiro possa comprar automóveis com maior segurança. Deveriam dar redução de impostos aos veículos que apresentam airbag, abs e sistema de controle de tração. E cadê aquela velha promessa de um certo deputado estadual que iria trazer a Toyota para Mato Grosso do Sul?

 

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